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Arte e Cultura - Por Armando Teixeira Junior

Arte e Cultura Por Armando Teixeira Junior

Game of Thrones, um jardineiro e sua árvore.

Publicado em 28/06/2019 1 comentário Comente!


Caro leitor, primeiramente queria agradecer por retornar a este espaço que, há quase 10 anos atrás, eu tinha a honra de ocupar falando um pouco sobre cultura. Depois de um longo hiato, retorno feliz em ver que o Atibaia News também está de volta a suas origens.

Não vou falar hoje sobre “Game of Thrones”,  a série de televisão adaptada pela HBO e que se encerrou recentemente, esse é um assunto para ser detalhado em um próximo texto. Mas queria aqui deixar uma opinião sobre o longo hiato vivido, por nós fãs da obra “As Crônicas de Gelo e Fogo” que é na realidade o nome verdadeiro da série de livros, que muita gente chama de “Guerra dos Tronos” ou “Game of Thrones” do original em inglês. Seguimos aguardando a conclusão do 6° livro que se chamará “Os Ventos do Inverno”.

O escritor George R.R. Martin já esta há quase 8 anos(!!!) escrevendo…. E nós esperando….uns pacientemente outros nem tanto.

O fato é que a Internet se prova a cada dia um lugar mais propício a incitar comportamentos nocivos e a ataques por parte daqueles que estão insatisfeitos ou discordam de qualquer coisa. Martin não pode fazer nada, publicar nada, não pode respirar sem que alguém o acuse: “O que diabos você está perdendo tempo com isso? Vá escrever o livro que nós queremos, oras!”.

Meus caros, não adianta gritar! O homem é um jardineiro… e se você já viu um jardineiro dos bons trabalhando sabe que esse trabalho é um artesanato meticuloso que exige tempo e paciência. Uma árvore não cresce do dia para noite. Digo isso porque o próprio Martin afirmou que em sua opinião existem dois tipos de escritores: os “arquitetos” e os “jardineiros”. Para quem não entendeu a comparação veja a explicação.

“Eu penso que existem dois tipos de escritores, os arquitetos e os jardineiros. Os arquitetos planejam tudo antes do tempo, como um arquiteto constrói uma casa. Eles sabem quantos aposentos a casa terá, que tipo de telhado terá, onde os fios estarão passando, que tipo de encanamento terá… Eles têm a coisa toda projetada e desenhada antes mesmo de pregarem a primeira tábua. Já os jardineiros cavam um buraco, jogam uma semente e regam. Eles meio que sabem que tipo de semente é; eles sabem se plantaram uma semente de fantasia ou uma semente de mistério ou o que quer que seja. Mas conforme eles regam e a planta cresce, eles não sabem quantos ramos ela terá, eles descobrem isso conforme ela cresce. Eu sou muito mais um jardineiro do que um arquiteto.”

Um amigo me disse que essa parecia na verdade uma “desculpa daquelas”; bem bonitinha e com cara de culta para fazer os fãs pararem de reclamar e se sentirem envergonhados por fazerem tanta pressão. Sinceramente, acho que não. O tal estilo jardineiro sempre esteve lá, e o fato de que a maioria das pessoas começou a ler “As Crônicas de Gelo e Fogo” quando os 5 livros já estavam prontos cria uma falsa ideia de que o ritmo do escritor mudou com o tempo.

Vejamos “Guerra dos Tronos” foi lançado em 1996, “A Fúria dos Reis” em 1998 e “A Tormenta de Espadas” em 2000, uma média de 2 anos a cada livro, mas não sei ao certo o quanto desses livros já estavam prontos antes da publicação.

“O Festim dos Corvos” foi publicado em 2005, e o último livro lançado, “A Dança dos Dragões” em 2011; 5 e 6 anos respectivamente. Até o momento estamos olhando para uma obra que consumiu 23 anos da vida de uma pessoa. Não é pouco... Muitos haters que xingam o escritor nem tinham nascido quando o primeiro livro foi publicado.

A história que nos apaixonamos é um grande emaranhado de casas, brasões, intrigas, conflitos, ramificações que chega ser realmente um trabalho extenuante não perder nada durante a leitura. Imagina escrever!

Eu não saberia por onde começar diante da missão de dar vida e enredo para cada coadjuvante, para cada pequena história que acontece em Westeros e fazer com que tudo tenha sentido no final. Por isso muito ajuda quem não atrapalha. Deixem o homem trabalhar em paz! Sei que é difícil; há 8 anos eu não era nem casado, e hoje tenho uma filha de quase 3 anos. Sim, temos o direito vez ou outra de extravasar e gritar com as paredes, mas tudo isso lembrando que do outro lado existe um ser humano, e não uma máquina de escrever. Digo mais, um ser humano genial.

Deixo aqui o link para um vídeo da youtuber “Mikannn” que praticamente disse tudo isso aqui, mas com muito mais graça e leveza; e que me fez sentir vontade de unir minha voz a dela no pedido por paz para George.

Em um mundo tão acostumado com a velocidade da tecnologia e de tantas coisas descartáveis que duram o tempo de um picolé, é um exercício pessoal árduo esperar por algo que queremos tanto. Mas pense por outro lado, será também um prazer único, cada vez mais raro, ter em suas mãos um trabalho minucioso, feito e maturado no tempo certo, sem pressa. Uma literatura com aroma e gosto das coisas que demoram.

Parece que em 2020 teremos novidades. Que assim seja. Amém.

 

 

 

 

 

 

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