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Atibaia ontem e hoje - Por Adriano Bedore

Atibaia ontem e hoje Por Adriano Bedore

Atibaia ontem e hoje - Por Adriano Bedore

Atibaia 354 anos - reflexões sobre o futuro de nossa cidade

Publicado em 30/06/2019 sem comentários Comente!


Com o aniversário de Atibaia vou romper algum tempo de silêncio nas redes sociais para escrever um pouco, espero que gostem das minhas reflexões sobre o aniversário e principalmente o futuro de nossa cidade:

Todos nós estamos acompanhando o crescimento de Atibaia. Não faz muito tempo sua população era metade do que é hoje (décadas de 1970/80 - 63.209 habitantes no censo de 1980), estimada em 1918 pelo IBGE em 141 mil habitantes . Ainda no século passado tinha 1/3, 1/5 e até dez por cento do que tem hoje (início do século XXI). Seu crescimento populacional e seu desenvolvimento econômico são recentes e eis que surge, nas últimas décadas, uma cidade bem maior e sob muitos aspectos, melhor do que aquela pequena cidade do interior paulista que já chamou atenção de tantos que por aqui passaram como Mário de Andrade para ficar apenas com um exemplo.

Sua história está ligada com a história de São Paulo e a do Brasil e seu nascimento, ainda antes do ano oficial (1665) tem razões e situações marcantes que a tornam única. Sou apaixonado por sua história que estudo há anos, mas neste texto quero me dedicar ao futuro de Atibaia e não ao seu passado que sempre que posso, dedico parte do meu tempo.

Apesar de estar em franco crescimento e desenvolvimento, Atibaia ainda consegue preservar traços de uma cidade típica do interior e seguramente esse seja seu maior tesouro.

As cidades brasileiras, salvo exceções, crescem numa velocidade assustadora e igualmente assustador é vê-las se tornar iguais, comuns em quase todos os aspectos.

Atibaia, apesar de sua proximidade com a maior cidade da América do Sul, ainda consegue preservar seus ares da encantadora cidade do interior paulista onde ainda se tem alvorada, cavalhada, congadas, folias de Reis, e tantas outras tradições e características que a diferencia das cidades com população equivalente ou menor.

Sua rica história e personagens marcantes para cidade, Estado e País, lutam bravamente para não serem esquecidas pelas futuras gerações de atibaianos e atibaienses. Já sua natureza provavelmente seja seu principal charme e possivelmente atrativo. Temos o rio Atibaia e seus afluentes, esquecido, mas lindo, o qual emprestou o nome para cidade e precisa ganhar urgentemente atenção e destaque urbanísticos. A cidade precisa preservar e voltar seus olhos para o rio. Ainda temos uma agricultura forte, apesar da expansão da malha urbana e da especulação imobiliária; temos uma serra belíssima e uma Pedra Grande que nos protege do crescimento urbano que, confesso me assusta. Não há, no raio de cem quilômetros da capital paulista, uma cidade com as nossas características e beleza. Me desculpem as outras igualmente belas da nossa região, mas Atibaia é uma das poucas cidades que têm várias vocações: agricultura, indústria, turística em todas suas vertentes (ecológico, religioso, histórico, climático, etc, etc), embora pouco explorada diante do seu enorme potencial. Sem esquecer de nosso clima, considerado um dos melhores do mundo. Em síntese, somos extremamente privilegiados em localização geográfica, beleza natural, vocações econômicas, clima, altitude, história, cultura e generosidade de sua gente.

Os índices de desenvolvimento são positivos e a colocam em papel de liderança na região que já não pode mais ser chamada de Bragantina. Aliás, historicamente nunca poderia ter sido tal classificação e agora também por outros fatores, não se dá mais para dizer, região Bragantina, para no mínimo, dizer: região de Atibaia e Bragança ou região Atibaiana, quer por sua história (a primeira cidade da região) quer por sua economia, também a primeira nos últimos anos.

Neste aniversário da cidade a grande reflexão que fica é: sim, o desenvolvimento é muito importante e inegável, mas que cidade desejamos para os próximos anos e décadas? Queremos verticaliza-la? Queremos preservar sua natureza ou ela não é importante frente ao desenvolvimento? Queremos esse desenvolvimento a qualquer custo ou devemos impor limites para que ele se dê com qualidade de vida e preservação das nossas características, as quais nos diferencia de tantas outras? Até que tamanho terá nossa mancha urbana no futuro? São muitas as questões e muitos são os exemplos negativos e positivos das cidades que cresceram e se desenvolveram com a preocupação ou não de preservação de sua memória, história, cultura, meio ambiente e devemos com urgência escolher quais exemplos seguiremos e qual o futuro que queremos para cidade?

Eu amo a minha cidade, felizmente outros muitos a amam como eu e a nós não é dada a oportunidade de não discutirmos o modal que queremos e a cidade que desejamos viver nos próximos anos e décadas.

Se por um lado a proximidade de Atibaia com grandes centros como São Paulo, Campinas, Jundiaí e São José dos Campos, é uma grande vantagem, por outro é exatamente nosso maior problema. Não há desenvolvimento que possa ser melhor que a qualidade de vida, não há empreendimento que possa ser maior que a sustentabilidade, a defesa da memória e do meio ambiente que se vive.

Atibaia tem como seu maior patrimônio o seu meio ambiente relativamente preservado, embora não universalizado, sua história e suas tradições, e qualquer ação que se perca esses patrimônios representa um desenvolvimento equivocado e maléfico que o tempo cobrará muito caro e fará de nós mais um município da região metropolitana de São Paulo, igual aos demais, com as mesmas festas e história, poucas tradições locais e principalmente com os mesmos problemas vividos pelas cidades que orbitam a grande metrópole. Nestes 354 anos de história é chegado a hora de decidirmos se queremos ser a última cidade da grande São Paulo ou a primeira do interior e dessa decisão o futuro das nossas tradições, da nossa rica história, da nossa cultura, do nosso rico meio ambiente dependerá.

Que venha mais desenvolvimento, especialmente o humano. Que o enorme passivo de infraestrutura e oportunidades continuem sendo diminuído, mas que nossas principais características sejam sempre preservadas sob pena do desenvolvimento se tornar mais maléfico que a falta dele.

Parabéns Atibaia querida, dos seus filhos jamais esquecida. Quer no passado, quer no presente, és orgulho da sua gente...

Atibaia ontem e hoje

Por Adriano Bedore

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