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Arte e Cultura - Por Armando Teixeira Junior

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10 motivos para você assistir a 3° temporada de Stranger Things

Publicado em 13/07/2019 sem comentários Comente!


Estreou no último dia 04 de julho mais uma temporada da queridinha dos assinantes do serviço de streaming Netflix. “Stranger Things” é provavelmente uma das séries mais importantes no plano de expansão global da empresa por apelar de forma vil para os sentimentos mais nostálgicos de todos que viveram a década de 80. Uma delícia. Eu nasci nessa década, mas sempre fui um entusiasta do cinema oitentista que viu clássicos instantâneos surgirem feito miojo, em “três minutos”.

Para nosso deleite a 3°Temporada é mais do mesmo, tem sim algumas inovações, mas traz o mesmo charme cativante que fez cada um de nós se apaixonar pela mistura de ação e suspense enquanto pipocam na tela as melhores referências possíveis de quase 40 anos atrás, de Spielberg a Sam Raimi, de James Cameron raiz à John Carpenter. Na minha opinião a 1° Temporada continua sendo a melhor, mas esta certamente perdeu por pouco.

Vamos então listar 10 motivos para você parar o que está fazendo e maratonar os 8 episódios da terceira temporada. Vale a pena.

1 – A nova ambientação e os cenários.

Pela primeira vez vemos os protagonistas nas férias de verão, bem perto do feriado do 4 de julho, dia da Independência nos EUA. Após o sucesso das duas primeiras temporadas vemos uma evolução nos cenários impulsionada é claro pelo evidente aporte financeiro que aumentou. Piscinas, shoppings, o jornal, a base russa, o parque de diversões... Os cenários aumentaram em número e detalhes. Com muito mais figurantes e cenas se passando a luz do dia. Geralmente cenas noturnas ajudam a “disfarçar” um orçamento apertado. Por isso o espetáculo de cores dessa temporada é fascinante, e todos os detalhes enchem nossos olhos, das fachadas antigas aos logos da Coca-cola e Burger King de mais de 30 anos atrás. Mesmo em cenas noturnas as luzes são abundantes e você não se perde em nenhum momento. Como as cenas do Parque de Diversões. Um banho de fotografia e direção que devem ter feito os showrunners de Game of Thrones querer morder o cotovelo após o fiasco da última temporada onde você não enxergava as cenas de batalha vendidas como fantásticas...

Destaque absurdo para o shopping que chega em Hawkings o “Starcourt Mall”. Fantástico, colorido, de encher os olhos.

2 – Os adolescentes

Sim eles não são mais crianças. Mesmo com Will(Noah Schnapp) e Lucas(Caleb MacLaughlin) menos aproveitados e com poucas falas, e com Mike(Finn Wolfhard) sendo novamente irritante na sua obstinação pela agora namorada Eleven(Millie Bobby Brown), não podemos reclamar da atuação dos garotos e garotas. O maior trunfo da série acredito foi ter tropeçado em uma escolha de elenco tão afiada e que demonstrou desde a 1° temporada uma química e sinergia natural. Max(Sadie Sink) e On roubam a cena com o nascimento de uma nova amizade, em um delicado e fofo momento de “girl power” sem exageros feministas que poderiam arruinar a ideia. A introdução de Érica(Priah Fergusson) foi algo natural quando a menina em poucas cenas ganhou a web na segunda temporada.

Destaque para Suzie(Gabriella Pizzolo). Acredite você não vai esquecer a cena onde a menina finalmente aparece e faz um dueto com Justin(Gaten Matarazzo).

3 – O roteiro e a história

Sem blablablá já sabemos mais ou menos para onde a série vai caminhar logo no primeiro episódio. Não existe enrolação, e o roteiro bastante simples e nada original, se desenrola com leveza e naturalidade. Essa não é uma crítica, mas sim um elogio. Nada de atrapalhar a série com histórias mirabolantes. Os roteiristas já tem dor de cabeça o suficiente para trabalhar com um número enorme de personagens principais divididos em grupos e linhas narrativas diferentes, e fazer tudo se encaixar no final sem nenhuma “barriga” ou seja aqueles momentos onde existem quebra de continuidade. Nesse caso menos é mais. A opção por colocar os soviéticos na roda, parece uma opção tacanha, mas devemos levar em conta que em 1985,em plena Guerra Fria o principal vilão da cultura americana eram sim os soviéticos.

Destaque para as cenas de ação muito mais abundantes nessa temporada. Mesmo assim houve tempo para namoricos pré adolescentes, DR sobre Dungeons and Dragons, ciúmes entre pai e filha, brigas de namorados... etc...

4 – Os coadjuvantes

Claro que as personagens principais são um grande trunfo da série, mas alguns coadjuvantes... dão aquele frescor, aquele respiro cômico, aquele tom sombrio...

De novo o jornalista paranóico Murray Bauman(Brett Gelman) garante boas cenas com seu mau humor. Karen Wheeler(Cara Buono) também tem um pequeno arco pessoal e familiar bacana, apesar de se sentir tentada a trair o marido, acaba protagonizando os momentos família ao consolar os filhos em momentos difíceis. O Prefeito Larry Kline(Cary Elves) que apanha de todo mundo, é muito legal mesmo sendo um estereótipo ambulante.

Destaque: O Russo Alexey, chamado de Smirnoff por Hopper, é uma verdadeira armadilha para o público. Começa com cara de vilão, e vai nos ganhando com sua paixão pelo modo de vida americano em cenas muito engraçadas.

5 – Os vilões

Não existe uma boa história sem um bom vilão. E nesse caso existe uma salada de antagonistas que tinha tudo para dar errado, mas... dá certo. Soviéticos canastrões se juntam a Billy(Dacre Montgomery) e a ameaça do mundo invertido, que seria como o Devorador de Mentes, ganhando forma em um monstro; que é na verdade uma soma de referências: Alien, A Bolha Assassina, Devoradores de Mentes, A Coisa e Uma Noite Alucinante.

Destaque: Para a réplica de Arnold Scharzenneger que faz a ameaça “humana” da série. Grigori(Andrey Ivichenko) é exatamente como T-800 de Exterminador do futuro.

6 – A trilha sonora e a música

Os showrunners Matt e Ross Duffer se encarregam de encher os episódios de referências deliciosas da música pop da década de 80. Famosões como Madonna, Foreigner, Peter Gabriel e Wham! Se juntam a Vera Lynn, Jim Croce, REO Speedweagon e outros responsáveis por “canções que você conhece mas não imagina quem canta”.

Destaque: para a trilha sonora ficou a cargo novamente da dupla Kyle Dickson e Michael Stein da banda Survive. A trilha se encaixa tão precisamente nas situações que acompanha que passa quase despercebida, porque parece ser absorvida de forma orgânica. Seja nos momentos tensos, emocionantes ou de suspense, a trilha ficou muito boa.

7 – O “Grupo do Shopping”

Novamente a estrutura narrativa da série divide as personagens em grupos que aos poucos vão se juntando. Todas as linhas narrativas de cada grupo são legais, mas impossível não se divertir quando entram em cena Steve(Joe Kerry), Justin, Érica e a novata Robin (Maya Hawke). Eles estão impossíveis. E a decisão de manter Justin longe dos amigos de sua idade por quase todos os episódios, pode parecer arriscada, mas deu certo. Ele e Steve tem uma grande química natural e suas interações são muito engraçadas, sem serem forçadas.

Destaque : Para Robin, sim o rosto familiar de Robin você já viu em algum lugar, ela é filha de Ethan Hawke e Uma Thurmam, ela é responsável por inserir na série a primeira personagem LGBT. Aqui novamente é mérito dos roteiristas, que fizeram a coisa toda soar natural e não forçada. Não existe aqui uma inclusão de minorias porque a mídia exige, mas algo que encaixa na história e agrega valor a série. Simples assim.

8 - As referências e Easter Eggs

Você já sabe que um dos grandes charmes de Stranger Things é jogar na tela referências de outros filmes e da cultura pop em geral o tempo todo. Vamos lá: Mulher Maravilha, De Volta Para o futuro, Picardias Estudantis, Indiana Jones, Exterminador do Futuro, Karatê Kid, Alien, A Bolha Assasina, Uma noite alucinante, Gremlins, O Enigma de Outro Mundo, Halloween, X-Men, Os Invasores de Corpos, Duro de Matar, O Iluminado, Jurassic Park, A História Sem Fim, a atriz Phoebe Cattes, O Enigma de Outro Mundo, Pica Pau,,...e muitos...muitos outros…É divertido assistir a série pela segunda vez só para caçar as referências.

Destaque: Acho que o destaque aqui é a verdadeira gincana que os fãs fazem caçando novas referências. Algumas estão bem óbvias … outras bem escondidas. Por exemplo, você encontrou a referência ao “Beetlejuice” de “os Fantasmas se Divertem” na série?

9 – A série cresceu com as personagens

As personagens cresceram e as crianças que as interpretavam também, com isso a série pode abusar um pouco mais do seu lado de horror e fazer jus a indicação liberada para maiores de 16 anos.

Existe mais violência, mais cenas de terror e ação, e muitos momentos  com estética “gore”, que seria uma tentativa de violência explícita, mas meio artificial, muito comum na década de 80. Bolas de carne, sangue e visceras, como se seres vivos estivessem “derretendo” aparecem de forma recorrente. Existem novamente mortes e cenas de tortura, tudo parece ter ficado mais intenso.

Destaque: Para “a mordida”,que inclusive dá nome a um episódio, uma ferida bem feia que serviu para mostrar a vulnerabilidade da protagonista “Eleven”, que apesar de superpoderes, continua sendo humana, algo que talvez faltou nas outras duas temporadas.

10 –  Hopper e Eleven

Independente dos momentos de interação “pai com ciúme da  filha pré-adolescente”, que chega a cansar um pouco, é inegável o magnetismo que David Harbour e Millie Bobby Brown trazem a série.

O xerife Hopper é o macho casca grossa responsável pelos momentos onde é necessário coragem e o mínimo senso de certo e errado. Ele bate na cara do prefeito e ameaça um garoto de 14 anos se for o caso. Precisamos de personagens assim, que andam sem camisa com a barriga gorda e branca de fora, mas que quando precisam tomam as providências necessárias.

Destaque: Eleven é na minha opinião uma personagem que fala com o olhar. As sobrancelhas levemente arqueadas de tensão, o sorriso inocente, a cara de dúvida… quase não são necessárias as palavras que brotam de um vocabulário ainda limitado… Millie Bobby Brown já caiu nas graças de Hollywood e já recebe um cachê milionário. Que bom porque a menina é realmente excelente atriz.

Encerro dizendo que ninguém deve desligar a TV antes das cenas pós-crédito. É óbvio que teremos uma quarta temporada. Resta agora esperar.

 

 

 

 

 

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