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Arte e Cultura - Por Armando Teixeira Junior

Arte e Cultura Por Armando Teixeira Junior

Arte e Cultura - Por Armando Teixeira Junior

50 anos da Capa de Disco mais Icônica da História

Publicado em 12/08/2019 sem comentários Comente!


Faz 50 anos que John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Star atravessaram a rua Abbey para a capa de seu disco, que se dava ao luxo de não trazer nenhuma outra informação que não fosse a foto em si. Não havia o nome da banda ou do disco, algo absolutamente inovador. Os Beatles eram tão conhecidos que palavras não eram necessárias. A capa se tornou muito provavelmente a mais famosa do mundo e fez aniversário na sexta-feira, dia 09 de agosto.

Não sei qual a importância disso para as novas gerações, hoje muito mais acostumadas a ouvir música em streaming, via Spotify ou Deezer, mas a verdade é que antes quem gostava de música gostava não somente do som em si, mas do pacote todo que incluía o disco, a capa, os encartes, toda uma arte conceitual que unia todo o conteúdo daquilo que pensou o artista e entregava embalado para nós como um presente.

E “Abbey Road” o derradeiro trabalho dos Beatles, ao completar 50 anos, marca não somente a história da música, mas com nostalgia dialoga com uma (ou duas) gerações ainda vivas que puderam apreciar mais de perto o conceito de “arte em capa de disco”.

Hoje em dia vemos uma tendência muito maior de lançamentos em “single”. Isso quer dizer que o artista lança uma canção por vez, às vezes, sem que esta esteja anteriormente ou posteriormente incluída em nenhum álbum.

É um processo mercadológico é claro, mas também cultural e que modifica a nossa relação com a música. Para quem ouve e para quem cria.

Mas como assim?

Simples. Antes você reunia uma banda, um produtor, alugava um estúdio, procurava uma gravadora para distribuir o trabalho, e depois de tudo isso ficava um mês(às vezes três, quatro…) gravando para lançar um disco com no mínimo 10 músicas, ou 45-50 minutos de gravação que justificassem tamanho investimento. Depois havia ainda o processo de tornar aquele material viável comercialmente, divulgar as músicas nas rádios, para que a banda vendesse discos e emplacasse turnês ou emplacar turnês longas para vender discos, a ordem do sucesso varia, mas a dificuldade era a mesma.

Hoje o camarada grava as vezes em casa, em estúdio próprio, produz no seu computador e já divulga em seu canal do youtube. Se a música estourar ok, se não, o investimento perdido foi pequeno. Não existe a necessidade de planejar um álbum que tenha uma coerência ao tocar em sequência, uma série de canções, todas dialogando entre si. Esse conceito está se perdendo.

Talvez por isso “Abbey Road, 50 anos” seja a última efeméride que iremos comemorar quando o assunto é capas de um grande disco.

O prisma em fundo preto de “Dark Side of the Moon” do Pink Floyd, o velho segurando uma sacola de galhos do Led Zepelin “IV”, a colagem psicodélica de personalidades de “Sgt Peppers Lonely Heart Club Band” dos Beatles, são todos capítulos marcantes da história do livro da música que a cada dia são menos “lidos” pelas novas gerações. Andy Wharhol pintou a banana da capa do disco Velvet Underground and Nico e muita gente conhece a imagem sem nunca ter ouvido a banda. O rosto de David Bowie ficou mundialmente famoso com a capa de "Alladin Sane". "Nevermind" do Nirvana é talvez a última grande arte de capas, com o garotinho na piscina e a nota no anzol.


Fotomontagem: Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, Nevermind, Velvet Underground and Nico, Led Zeppelin IV, Alladin Sane, Dark Side of the Moon.

Existem tantas outras artes icônicas nas capas de discos e mesmo com o modesto retorno do vinil sendo relançado como fanservice a preços bastante salgados, a tendência mercadológica indica que cada vez menos veremos capas e álbuns.

Resta nos recorrer ao passado, comemorando aniversários como este de "Abbey Road". Bate uma nostalgia pelo passado e uma melancolia sobre o futuro.

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