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Arte e Cultura - Por Armando Teixeira Junior

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Cajuína

Publicado em 27/09/2019 sem comentários Comente!

Divulgação

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“Existirmos a que será que se destina?”. Essa é talvez a abertura de música mais impactante que podemos encontrar na nossa deliciosa MPB. Digo isso porque são raros os casos onde uma canção é iniciada com uma pergunta, quanto mais em tão poucas palavras já atirar assim sem lenga-lenga em nós uma pergunta potencialmente avassaladora, de caráter tão profundamente filosófico.

A canção “Cajuína” de Caetano Veloso, foi lançada em seu álbum “Cinema Transcendental” de 1979, e diferente do que pode sugerir: Não! Ela não é uma homenagem a bebida popular do nordeste brasileiro que é até considerada Patrimônio Cultural Nacional.

A melancólica história por trás da música tem como inspiração Torquato Neto, filho único, nascido em Teresina e que se suicidou um dia após seu aniversário, aos 28 anos de idade, se trancando no banheiro e abrindo o gás. Deixou uma enigmática carta de despedida para a esposa e o filho até então com 2 anos de idade.

Claro que o tal Torquato não passou pelo mundo apenas a passeio, mas antes de partir deixou composições de vanguarda junto com o movimento Antropofágico/Tropicalista de sua época em parcerias com Gilberto Gil,Caetano e outros grandes nomes. Torquato, foi jornalista, poeta, escritor, e ganhou o apelido de “Anjo Torto”.

Sua morte foi em 1972, mas demorou até Caetano reviver o luto pela passagem do amigo que esteve distante nos seus últimos dias.

Quis o destino que a história ficasse registrada em música, quando anos depois, Caetano visitou em Teresina o pai de Torquato, Heli Rocha Nunes. Em um encontro apenas entrecortado em poucas palavras, Caetano esteve na casa de Heli, repleta de memórias do amigo e desatou a chorar. O pai que havia perdido o filho único, não chorou, mas começou a consolar o cantor. Em um gesto lírico inexplicável foi até o jardim colheu uma rosa-menina e entregou a Caetano, depois serviu a ele um copo de Cajuina.

Curiosidade: Lembrei dessa história revendo a entrevista de Caetano no “Programa Livre”. Quando a menina levanta e mal consegue explicar suas perguntas, o cantor nos conta a história de “Cajuína” e de uma curiosa citação que posteriormente Djavan colocou em sua canção “Te Devoro”. Caetano respondeu sobre “devorar Di Caprio” que na época por conta do filme “Titanic” era sim ícone de beleza, mas também ícone pop, por estar atrelado ao maior sucesso do cinema até então.  Como sempre a mente rasa de alguns jornalistas brasileiros, que nunca entendeu o que foi o movimento antropofágico, tentou sexualizar a resposta para criar certa polêmica. Caetano permaneceu com seu jeito baiano imaculado dando de ombros para a pequenez daquela gente que queria vender jornal e revista as suas custas. Imperdível.

 Segue o link!

 

 

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