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Arte e Cultura - Por Armando Teixeira Junior

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É um absurdo reclamar que teve Anita no Rock in Rio

Publicado em 18/10/2019 sem comentários Comente!

Foto: Rock in Rio Brasil 2019

Foto: Rock in Rio Brasil 2019

O Rock in Rio terminou faz uns dias e foi mais uma vez um sucesso comercial. Aqueles que puderam foram até o Rio de Janeiro e tantos outros ligaram a televisão que transmitiu boa parte do evento no canal Multishow (e teve picos consideráveis de ibope). Ainda assim teve gente que reclamou... e olha só, reclamou da presença de Anita!

Ah como é linda a internet! Dando voz a todo tipo de pessoa mal resolvida que descarrega sua frustração no virtual conforto de um teclado, se achando dono da vida alheia, e até do evento musical alheio. Ouvi muita gente pagando de rockeiro nas redes sociais reclamando do funk no RiR deste ano, falando poucas e boas sobre Anita estar por lá “no mesmo palco onde pisaram...” E começa a intermitência de bobagens… como se houvesse qualquer tipo de comparação entre o rebolado do Freddie Mercury do passado com o da Anita de anteontem.

Amigos amo o rock. E não, não gosto de funk. Nem um pouco. Mas nem por isso acho certo usar meu gosto pessoal como máximo delimitador comum do que pode ou não tocar no RiR.

Sem contar que mais da metade dos comentaristas de teclado que hoje reclamam são vítimas de duas doenças que não tem remédio no coração de um hater, a “ignorância” ou a “nostalgia”. As vezes os dois.

Começando pelo primeiro. O ignorante, uma variante raivosa do desinformado, grita que isso e aquilo é um absurdo, citando como argumento o fato do “rock” no nome do festival exigir que subam ao palco apenas ícones do rock, certo? Errado, desde a primeira edição não é assim.

O fanático fala de 1985 com Queen, Ac/DC, Scorpions, Iron Maiden, Yes...e etc. E esquece que nesse mesmo ano o Rock in Rio teve Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Erasmo Carlos, Baby Consuelo… sem contar All Jarreu, James Taylor e George Benson, que são excelentes músicos, mas não são exatamente ícones do rock. Em 1991, teve “New Kids on the Block(!!). Em 2001, Britney Spears, N´Sync, Sandy e Junior (!!!). Em 2011, Cláudia Leite e Ivete Sangallo. Por isso que tal reclamar menos dos shows que você não vai assistir e se focar naqueles que você gosta?

O ignorante, uma versão teimosa do alienado, faz uma réplica dizendo que todo ser humano que defende a pluralidade de estilos no RiR é acéfalo, debilóide e não entende de música e que em qualquer universo é uma afronta colocar no mesmo palco Iron Maiden e Anita. Esquece, no entanto que “o show” é comercial e precisa lucrar.

Sabe quando a Multishow transmitirá um Festival só de rock e com um monte de banda que a maioria desconhece? Quando a Madonna virar freira.

Passamos então para outro militante resoluto e difícil de dobrar. O nostálgico. Não despreze o poder da nostalgia. Enquanto o ignorante, geralmente não assistiu ao vivo(ou gravado que seja) nenhuma das versões do RiR integralmente, sendo que possivelmente só assistiu aos melhores momentos aqui e ali, o nostálgico é aquele que milita em “conhecimento de causa”, “foi para a guerra e voltou”, ou seja participou dos primeiros festivais, e tudo que é novo para ele é pior que o antigo. Desde a Coca-Cola em garrafa de vidro, passando pelo leite de saquinho, até o Cid Moreira no Jornal Nacional, tudo “antes” era melhor, mais verdadeiro, tornando o que acontece hoje uma porcaria por consequência.

No início parece mais fácil dialogar com o nostálgico, mas não se engane. Ele tem na ponta da língua um argumento que geralmente termina com uma acusação: “Você não sabe porque não estava lá”. Ou ainda olha você com um olhar de pena como se reconhecesse sua limitação intelectual.

Uma variante louca fruto da nossa pitoresca atualidade é o neo-nostálgico que sente saudade daquilo que não viveu. Sim, somam os hormônios da adolescência com a teimosia da velhice para defender algo que não viveram. Tipo: “nasceu em 2005 e diz que o RiR de 85 foi o melhor que já viu, porque tudo naquela época era melhor.”

Algo bem sem sentido, mas que existe; que na natureza só seja comparável talvez ao ornitorrinco.

E não se esqueça amigo, o tempo corrige tudo, inclusive as perspectivas. Ivete e Claudinha Leite, eram cantoras de Axé rebolativas em 2011, e hoje não raro são chamadas de “divas” da nossa música nacional.

Por isso defendo que é um absurdo reclamar de Anita no RiR. Se seu rebolado nada acrescenta a música (como dizem uns), por outro lado dá ao festival visibilidade suficiente para garantir por exemplo a transmissão em TV da maioria dos shows – mesmo que seja em “canal fechado”. Para ser didático, recorro a Antoine de Saint Exuperry, que em seu clássico “O Pequeno Príncipe” já falava, que se queremos a beleza das borboletas, temos que aguentar uma ou outra larva.


 

 

 

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