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Arte e Cultura - Por Armando Teixeira Junior

Arte e Cultura Por Armando Teixeira Junior

O amor é apenas uma mentira criada para te deixar triste.

Publicado em 26/12/2019 sem comentários Comente!

Foto: Youtube

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“Alguns tolos pensam em felicidade, alegria, cumplicidade. Alguns tolos se enganam eu acho. Mas eles não estão enganando a mim. Eu sei que isso não é verdade, eu sei que não é verdade. O amor é apenas uma mentira criada para te deixar triste. O amor machuca.”

Esse é um trecho da canção “Love Hurts”, que queria utilizar para ilustrar o início deste texto sobre Gram Parsons, “o Anjo da Dor”, podemos assim dizer, uma vez que seu álbum póstumo lançado alguns meses após sua morte se chama “The Grievous Angel”.

Vez por outra devemos falar de grandes ícones da música que acabaram semi-esquecidos na nossa realidade atual de ídolos passageiros que duram apenas um verão, de talentos descartáveis e “one hit wonders” feitos apenas para gerar likes e compartilhamentos nas redes sociais, ou para ostentar um padrão de vida(ou de bunda) de sucesso que só existe para poucos.

Enfim música é muito mais que isso. Música é quase um diálogo com a alma que nos faz revisitar momentos vividos e nos aproximar em essência dos sentimentos que mais importam, como o amor, a dor, a alegria, a paixão…

Gram Parsons foi um rapaz como muitos outros de seu tempo, apaixonado pela música e que viveu tão intensamente essa paixão que morreu por ela.
Sua overdose de tequila e morfina, mostra muito sobre sua dor, sua melancolia que transbordava e vez por outra suprimia sua genialidade como músico e compositor, sua delicadeza e paixão como intérprete.

Era também viciado em cocaína, que é um estimulante do sistema nervosos, causador de euforia, ausência de medo e delírios, enquanto a Morfina causava o contrário, analgesia e supressão da dor. Duas substâncias que são contraditórias, e que resumem a confusão na cabeça de um rapaz à frente de sua época, e certamente incompreendido e sofrendo. Na minha opinião sofrendo por algum amor.

Parsons é considerado por muitos o precursor de uma grande variedade de estilos derivados do country puro, como o country-rock, ou o country alternativo/psicodélico. Influenciou gente do peso de Keith Richards, Tom Petty e a banda Eagles. De forma direta colaborou com o álbum do The Byrds, “Sweetheart of the Rodeo” hoje considerado um clássico.

Entre suas melhores canções estão “Hickory wind”, “In my hour of darkness”, “A Song for you” e “The return of the Grievous Angel”.

Dois clássicos matadores ganharam uma interpretação quase definitiva(mas quase desconhecida) em sua voz: “Wild Horses”(Jagger/Richards) gravada antes mesmo dos Stones, e “Love Hurts” (que abre e fecha este texto) talvez o melhor dueto já registrado com a maravilhosa Emmylou Harris. Dizem que rolava um amor platônico, e eu acredito que só isso pode explicar a sinergia das vozes em uma série de canções que eles registraram para a posteridade.

Morreu em 19 de setembro de 1973, de forma estúpida como já citada, mas que revela uma necessidade de dor exacerbada, que nunca era suficiente exposta em sua música. Ironicamente sentimos essa dor em sua voz.

Encerro deixando aqui o que pra mim é a versão definitiva da dolorosa “Love Hurts”, muitos conhecem a versão rock da banda “Nazareth” e a maioria desconhece que a gravação original é da década de 50, dos “Everly Brothers”, mas na versão de Parsons e Emmylou Harris cada palavra soa realmente como um desabafo, algo entalado na garganta e que explode… afinal de contas o amor machuca. Fico pensando de forma recorrente: teria Parsons morrido de amor?

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