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Arte e Cultura - Por Armando Teixeira Junior

Arte e Cultura Por Armando Teixeira Junior

Frozen 2 é show pirotécnico vazio de emoção

Publicado em 13/01/2020 sem comentários Comente!

Imagem Wikipédia

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Fui ao cinema assistir Frozen 2 com uma expectativa alta. Era a primeira experiência da minha filha de 3 anos diante de uma tela de cinema, e ela é apaixonada pelo primeiro filme.

A Disney surpreendeu na apresentação das irmãs Elsa e Ana, quando em sua primeira aventura  trouxe uma proposta bastante curiosa, de não apostar em um vilão tradicional, que ficou escondido na maior parte do longa como um figurante de luxo. O tema do filme era, na verdade, não o embate entre o bem e o mal, mas sim a relação de amizade entre duas irmãs, suas expectativas e sonhos.

Tudo deu muito certo, e o estrondoso sucesso era apoiado por números musicais apaixonantes, com razão de ser.

O segundo filme é muito mais ambicioso. Tecnicamente perfeito é um desfile de efeitos impressionantes que tira um pouco da tela o monocromático azul do gelo, para apostar na dinâmica da natureza e dos elementos: fogo, ar, água e terra.

Novamente não existe um vilão propriamente dito, mas diferente do primeiro filme a jornada se desenvolve na busca pelo passado, envolvendo novamente uma “maldição” a ser confrontada.

Diante do espetáculo que se desenvolve diante dos nossos olhos falta o mais importante: sentimento.

As canções podem até ser bonitas, mas parecem “jogadas” no filme como um compromisso mercadológico necessário.

O protagonismo de Elsa, que enfrenta a maior parte dos perigos, não chega a empolgar, e falta a ela uma leveza característica das personagens principais da Disney. A princesa do gelo parece estar o tempo todo esmagada pela responsabilidade e o fardo de seus poderes mágicos, passa a maior parte de seus momentos tensa e com o olhar preocupado...deixa a impressão de uma protagonista que precisa de um psicólogo.

O núcleo masculino está lá apenas como mera figuração e alívio cômico. Kristoff até tem sua “missão”… mas convenhamos, ela se torna secundária diante do mistério que envolve a origem das irmãs que são o centro da coisa toda.

Outro problema sério do filme é que ele entrega menos risadas do que deveria. Quase todos os momentos engraçados envolvem o bonequinho de gelo Olaf (que passa por uma crise existencial) ou a rena Sven, que parecem ser os mais conscientes de seus núcleos de ação. Cena hilária é a que acontece quando Olaf faz um resumo do primeiro filme.

A conclusão do filme chega a ser ok, mas de novo… falta uma emoção, um algo a mais que nos aqueça o coração, que nos encha de ternura… não sei explicar exatamente.

Outro ponto questionável é a obsessão pelo protagonismo feminino, deixando novamente o papel de vilão escondido a uma figura masculina. Pelo menos não houve sequer uma citação ao desatino de transformar Elsa na primeira princesa homossexual de um desenho Disney, boato que ganhou muita força durante a produção do longa. Modernismo desnecessário para uma obra destinada ao público infantil.

Perdão pelo trocadilho infame, mas na minha opinião Frozen 2 é muito frio, apegado as pirotecnias do rigor técnico e ao desejo de entregar um espetáculo visual deslumbrante se esquece que o que encanta a criança(e também aos adultos) é o conteúdo e não a forma. Me lembro que os melhores filmes que assisti despertavam um desejo enorme de continuar falando sobre eles, independente da idade. Quando assisti Rei Leão pela primeira vez não parava de tagarelar sobre o filme e como foi emocionante a experiência, tinha uns 8 anos acho.

A pequena Sophia, que assistia seu primeiro filme no cinema, gostou da tela grande, gostou da pipoca, mas saiu do cinema sem lembrar muito do que viu, pedindo para brincar no parque e chupar sorvete.

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