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Arte e Cultura - Por Armando Teixeira Junior

Arte e Cultura Por Armando Teixeira Junior

Comunicação sem o rádio, é cozinha sem o fogão.

Publicado em 11/03/2020 sem comentários Comente!

Orson Welles, em 1938, narrou trecho do livro Guerra dos Mundos através do Rádio e causou pânico em massa. Pessoas fugiram de uma

Orson Welles, em 1938, narrou trecho do livro Guerra dos Mundos através do Rádio e causou pânico em massa. Pessoas fugiram de uma

You had your time, you had the power

You´ve yet to have your finest hour Radio” - Radio Gaga – Queen (1984)

Hoje com o avanço das tecnologias, o rádio está fadado ao desaparecimento. Um meio superado e sem novas perspectivas, será engolido por todas as outras medias, que após o advento da internet, estão crescendo de forma avassaladora. Youtube, plataformas de streaming, redes sociais, tudo conspira para que o rádio morra nos próximos anos sem deixar nenhuma herança. Certo?

Errado! E muito!

Não é raro nos depararmos com afirmações bizarras, de pessoas que nada pesquisam sobre o assunto, vagando pelo pedestre terreno dos achismos, dizem que o rádio é um veículo superado. Pensar em meios de comunicação sem o rádio é mesma coisa que imaginar uma cozinha sem o fogão. Não vai acontecer.... me desculpem aqueles fatalistas que adoram uma teoria de “fim das coisas”.

Primeiro que o rádio já sobreviveu a diversas transformações. A maioria das pessoas não sabem, mas no início o e durante muito tempo o rádio foi a forma mais rápida de se comunicar algo a um grande número de pessoas, sua longeva credibilidade é por isso algo enraizado em nossa cultura de forma até subliminar. Se o noticiário do rádio disse, nós acreditamos! É uma marca consolidada, da mesma forma que leite condensado é Leite Moça, fotocópia é Xerox e palha de aço é Bombril, Rádio é credibilidade. Uma força de marca.

Rádio é entretenimento. Desde a era de ouro onde existiam programas musicais de auditório, realizados ao vivo, até hoje se imagina que em algum momento o rádio será abandonado como forma de ouvir música. Primeiro foram os Lps, grandalhões e colecionáveis, depois as fitas K7 compactas e editáveis, depois os cds com qualidade de áudio superior e alta durabilidade, depois os formatos digitais como o mp3, que permitem ter um grande acervo em um pequeno pendrive, e agora por fim os serviços de streaming em nuvem, uma audioteca quase infinita acessível em smartphones e partilhada via bluetooth para qualquer gadget compatível.  Com todas as facilidades possíveis e inimagináveis há algumas décadas, nada foi capaz de tirar do rádio seu apelo musical. Ainda se ouve música no rádio! O Rádio é a verdadeira barata voadora do segmento, não morre, desvia da chinelada e ainda se multiplica.

A internet considerada eventualmente uma inimiga, tem na verdade auxiliado o segmento com novas ferramentas como a rádio online e a possibilidade de transmissão de vídeo dos estúdios de rádio. O rádio não tem vergonha de se renovar, inovar e abraçar novas tecnologias. Por quê não?

Já tive conversa séria com muitas pessoas, muitas delas razoavelmente inteligentes e bem informadas, que acham que tudo isso é balela e que o rádio vai acabar nos próximos anos. Vamos então a aquela surra de realidade que apenas os números podem nos dar.

Segundo pesquisa da Kantar Ibope Media(de 2018), que é a referência no Brasil nesse tipo de estudo, em 13 regiões metropolitanas do país o índice de pessoas que afirmaram ouvir rádio é de 86%. Dessas pessoas, 3 a cada 5 declaram ouvir rádio todos os dias. 31% da população declarou que já ouviu rádio via streaming.

Outra falsa ideia é de que o público do rádio é essencialmente “velho”, sendo em sua maioria adultos após os 50 anos e possivelmente idosos que possuem dificuldades com as novas tecnologias. Errado! A pesquisa da Kantar aponta que entre os 50 e 59 anos, 85% das pessoas declaram ter ouvido rádio nos últimos 90 dias, a média cai para 77% para pessoas após os 60 anos; sendo que a média mais alta está entre os jovens de 20 a 34 anos, simplesmente 89% declara que ouviu rádio nos últimos três meses.

E essa não é uma tendência nacional. Segundo a Dloitte Insightts, em sua pesquisa Global sobre o Rádio, nos Estados Unidos desde 2001, quando a Apple lançou o Ipod, que o alcance do Rádio permanece praticamente inalterado por lá, em expressivos 94%. Na Inglaterra, em 2018, o número de gastos com anúncios no rádio subiu 12,5%, foi o maior do setor superando inclusive a internet.

Agora o ponto mais chocante dos estudos da Dloitte é que a taxa de jovens entre 18 e 34 anos que tem deixado de lado a televisão tem crescido 3 vezes mais rápido que aqueles que tem abandonado a escuta de Rádio. Isso quer dizer que em 2025 podemos ter no mundo mais pessoas ouvindo rádio do que assistindo a televisão tradicional.

O Rádio é aquele companheiro amigo que oferece muito sem exigir nada, fica feliz de falar com você e de ter sua companhia mesmo que você não esteja prestando atenção a ele. Por isso você pode dirigir, cozinhar, trabalhar, comer, se exercitar, fazer praticamente qualquer coisa ouvindo rádio. Isso meus amigos é insuperável. Você não se torna escravo da “tela” como em outros dispositivos.

Aos apaixonados pelo rádio, fiquem tranquilos, eu repito, imaginar a comunicação sem o rádio é como imaginar uma cozinha sem o fogão, não faz sentido algum.

Como cantava o saudoso Freddie: “Você teve sua era, você teve o poder, mas você ainda terá seu melhor momento.”

 

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