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Arte e Cultura - Por Armando Teixeira Junior

Arte e Cultura Por Armando Teixeira Junior

10 Discos Internacionais para Maratonar na Quarentena

Publicado em 27/04/2020 sem comentários Comente!

Fotos: Internet/Divulgação

Fotos: Internet/Divulgação

E seguimos em quarentena... Com atualizações diárias nada animadoras no noticiário e com o cenário político nacional parecendo comédia pastelão de mau gosto resta ao brasileiro desanuviar para não enlouquecer.

Fiz a proposta de realizar uma “maratona de discos”, e na coluna anterior listei 10 discos nacionais para “esquecer” tocando em seu streaming. Hoje trago a proposta de 10 álbuns internacionais para ouvir do início ao fim. Confesso que em tempos difíceis como esse até nossa memória nos faz recordar canções mais introspectivas e menos eufóricas, e essa lista reflete um pouco isso. Novamente reforço que não se trata de um “top alguma coisa|” mas apenas listei 10 sugestões bem bacanas e que merecem ser ouvidas, algumas bem famosas outras bem escondidas, mas todas brilhantes.

Eddie Vedder – Into the Wild (2007)

O ator Sean Penn dirigiu em 2007 o filme “Into the Wild”(Na Natureza Selvagem) baseado no livro do jornalista e escritor Jon Krakauer. Melhor que qualquer roteiro original, aqui a história real do jovem idealista Christopher McCandless é o barro que deu origem a três pequenas obras primas, o livro é fenomenal, o filme é muito bom, e a surpresa é a trilha sonora assinada por Eddie Veder, vocalista da banda Pearl Jam.

São 11 músicas intimistas e reflexivas, que falam do amor a natureza e da liberdade, da luta contra as amarras da sociedade, que é também o tema da história real que amarra filme, livro e trilha sonora. O final avassalador é melancólico. A experiência sonora se torna completa para quem leu o livro e assistiu o filme, mas o disco em geral é muito bom mesmo para quem desconhece a história.

ZOÉ –MTV Unplugged Música de Fondo (2011)

A banda mexicana Zoé é praticamente desconhecida no Brasil, uma pena, pois traz uma sonoridade própria que mistura rock, pop, progressivo e até música eletrônica tudo isso com um tempero latino bem agradável ao paladar. A fórmula “Unplugged MTV” funciona muito bem aqui e adiciona uma mini orquestra de cordas em alguns arranjos com um resultado magistral.

Vale ressaltar a presença de Denise Gutierrez, da banda de rock alternativo “Hello Seahorse!” que faz um adocicado backing vocal em várias faixas e é protagonista da canção “Luna”- na minha opinião a melhor do álbum.

Destaque ainda para “Nada” com participação de Enrique Bunbury.

Jeff Bucley – Grace (1994)

Não sabemos qual seria o tamanho de Jeff Bucley hoje, o que sabemos é que esse jovem talento deu seu adeus muito cedo ao morrer afogado em 1997. Deixou apenas um álbum gravado, “Grace” que é uma experiência musical muito peculiar.

Conheci o álbum mais a fundo por indicação de um amigo, filósofo e músico, que me disse: “Você já ouviu Jeff Bucley? Bate uma melancolia!”, mas aquilo soava não como uma crítica, mas como um grande elogio. E de fato, o álbum tem requinte para ser apreciado a meia luz com um copo de uísque. O vocal de Jeff é belíssimo, cristalino e toca fundo. Não é um disco fácil, mas possui camadas a serem descobertas a cada audição que o tornam melhor a cada vez que revisitado.

Travelling Wilburys – Vol. 1 (1988)

Sabe quando você juntava em sua casa os amigos que gostavam de música e fazia uma banda, mesmo que imaginária? Pois é o Travelling Wilburys é meio isso, uma banda de amigos se divertindo.

O único detalhe é que essa banda é dos amigos Bob Dylan, George Harrisson, Roy Orbison, Tom Petty e Jeff Lyne que escolheram até os nomes fictícios de Lucky Wilbury, Nelson Wilbury, Lefty Wilbury, Charlie T. Wilbury Jr. e Otis Wilbury para assinar o álbum. Mesmo com a morte de Roy Orbison, mais tarde no ano de lançamento do disco, o projeto continuou e ganhou outro disco intitulado Vol.3 (sim eles “pularam” o Vol. 2).

As canções esbanjam alto astral e arranjos perfeitos, tudo fluindo por conta do estado de graça dos músicos geniais que assinaram a brincadeira. A voz de veludo de Roy marca alguns dos melhores momentos do álbum. Imperdível.

Bruce Springsteen – Born in the USA (1984)

Um dos maiores ícones da música americana, Bruce Springsten é aquele cara amado por quase todos no seu país. Seria por analogia, para os Estados Unidos, o que Roberto Carlos é para o Brasil. Dito isto o homem não é amado a toa, mas tem em seu repertório um número insano de singles de sucessos.

“Born in the USA” é seu sétimo álbum, e alfinetava o presidente da época Ronald Reagan ao mesmo tempo que exaltava valores patrióticos e criticava a Guerra do Vietnã. Claro que estamos aqui falando de boa música e muitas vezes para alguns de nós brasileiros pouco importa essa exaltação da cultura norte americana... Então fique tranquilo, você que odeia o imperialismo ianque pode também curtir “Glory Days”, “Dancing in the dark”, “Working on the Highway” e tantas outras que fazem com que esse disco de rock seja considerado um dos melhores de todos os tempos.

Gun´s n´Roses – Use your illusion I e II (1991)

Confesso que demorei a reconhecer que Guns´n Roses era uma grande banda de rock. Na época que comecei a estudar mais a fundo o rock, me embrenhei no infinito celeiro de grandes bandas dos anos 70, percorri o experimentalismo oitentista, e torcia o nariz para o “Guns” que tanto sucesso fez com pessoas da minha geração.

Hoje com um olhar menos preconceituoso e mais abrangente vejo que a banda teve ao menos três discos fundamentais para o rock, assim como imagens icônicas da época dos videoclipes... Quem viveu certamente se lembra do enorme clipe de “November Rain” com Slash tocando sua guitarra no deserto, ou no clipe de “Patience” em que Axel Rose aparece dançando serpentilíneo e assoviando a canção?

“Use your Ilusion”, se considerarmos que se trata de um disco duplo, é talvez o trabalho mais “maduro” da banda, com experimentalismos fora do hard rock e flertes até com o folk. “Live and Let Die”, “November Rain” e o cover “Knocking on Heavens Door” são o carro chefe, mas todas as canções refletem a combinação que era o grande trunfo da banda: vocal poderoso + guitarra afiada.

Simon and Garfunkel – The Concert at Central Park (1982)

Simon and Garfunkel foram em sua época inigualáveis na harmonia vocal que imprimiam em suas canções que misturavam doçura, lirismo e uma força avassaladora, como se suas rimas fossem uma  pintura de quadros sonoros que se tornaram para nós referências como “The Sounds of silence”, “The Boxer”, “Homeward Bound”, entre tantas outras.

Quis o destino que a genialidade de ambos pusesse fim a dupla em 1970. A grande verdade é que um sem o outro, apesar de serem músicos incríveis não conseguiram vingar em carreira solo. Em 1982, ainda separados, mas com a amizade já reestabelecida toparam um encontro para um concerto beneficente no Central Park, o resultado foi um dos maiores shows da história, que reuniu mais de meio milhão de pessoas e resultou em um disco duplo soberbo.

Mumford and Sons – Sigh No More (2009)

Os ingleses do Mumford and Sons provaram que existe folk na terra da Rainha Elizabeth. Com muitas cordas, bandolins, banjos, guitarras e baixos entrecortadas por arranjos vocais de fina sincronia os rapazes entregaram em “Sigh no More” um disco repleto de músicas animadas e de ritmo pegajoso, misturadas com baladas de grande apelo pop. “Awake My soul”, “Little Lion Man”, “Winter Winds” e “Sigh No More” são canções que nem parecem estar presentes em um álbum de estreia, parece o trabalho maturado de um grupo com anos de estrada e experiência.

Permita-se experimentar o clima de Nashville, mas com sotaque britânico, oferecido pelo Mumford and Sons.

The Strokes - Is this it (2001)

Lembro quando esse disco do The Strokes chegou. Poucas vezes tive a sensação como essa de ouvir um som tão “com cara de novo” que quebrava o marasmo de tudo que estava aparecendo desde o final dos anos 90.

Não foi pouco o alarde causado por “Is this it”, muitos consideram o melhor disco de rock de toda a primeira década dos anos 2000. “Last Nite”, “Someday”, “Hard to explain”, foram revolucionárias e sonoramente poderosas para quebrar uma bolha de contentamento que existia em aceitar rock meia boca de algumas bandas horrorosas da época... O The Strokes trazia uma pegada crua, visceral e com a paixão pelo som ao vivo, rude e quase sem efeitos de estúdio. Excelente.

The Cranberries – MTV Unplugged (1995)

A banda irlandesa “The Cranberries” sempre flutuou ao redor do magnetismo da vocalista Dolores O&39;Riordan e apresentava uma mistura de rock, pop, indie e outras vertentes mais alternativas. Algumas músicas eram dolorosamente belas como “Linger” e “Ode to my Family”, mas nenhuma seria o sucesso que foram sem o vocal de Dolores.

Morta em janeiro de 2018, ela conseguia transmitir com rara sutileza a emoção para as canções, desde a respiração, passando pelo falsete até as “falhas” de voz típicas de alguém que está sentindo cada uma das palavras que canta. Escolhi novamente o registro no formato “MTV Unplugged” porque nesse caso o repertório é avassalador e os arranjos ressaltam ainda mais a bela voz de Dolores.

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