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Em entrevista exclusiva, Luiz Fernando Pugliesi fala sobre sua trajetória política, as eleições de 2020 e até sobre uma possível mudança de partido

Publicado em 20/09/2019 Editoria: Entrevista sem comentários Comente! Imprimir


Nome forte da atual gestão, Secretário de Governo e fiel ao prefeito Saulo Pedroso, o empresário declara estar à disposição do grupo para uma eventual candidatura a prefeito, fala sobre a vida pública e o que espera do cenário eleitoral no município no próximo ano.

Armando Teixeira Junior

Luiz Fernando Rossini Pugliesi é formado em Direito, assim como seus pais, José Pugliesi e Ercília Pugliesi, mas desde muito cedo já demonstrava interesse pelo empreendedorismo. Seu primeiro “negócio” ainda garoto foi patrocinado pelos pais, uma banquinha de venda de Morangos, na Rodovia Fernão Dias, na época onde a pista ainda possuía mão dupla, próximo ao bairro do Rosário. O morango que não era vendido voltava para casa, virava geleia e era vendido na semana seguinte. A mãe “patrocinava” os potes para a geleia e o pai os morangos, portanto o lucro era de 100%, não havia custo, e o garoto parece ter gostado da ideia de ser empreendedor.

Desde então, Luiz Fernando se tornou “administrador por profissão e não por formação”, como ele mesmo define, quase não atuou na advocacia, mas acumulou uma trajetória de sucesso no ramo empresarial.

Atual Secretário de Governo de Atibaia, começou na vida pública em 2002, seguindo os passos da mãe que foi vereadora e do pai que foi chefe de gabinete do ex-prefeito Pedro Maturana.

Luiz Fernando recebeu a equipe do Portal Atibaia News para uma entrevista e falou sobre a cidade de Atibaia, das experiências na vida pública, sobre as eleições municipais de 2020, da sua possível candidatura e até de uma eventual mudança de partido para o PSDB.

Atibaia News: Luiz Fernando você é administrador de empresas, executivo e, também político. Qual foi sua primeira “paixão” a vida empresarial ou a vida pública?

Sou empresário e advogado, não sou administrador por formação, mas por profissão. Minha mãe era advogada, o meu pai era advogado e minha prima e meu tio também, me formei em direito. Mas sempre fui empreendedor desde muito cedo. Comecei com uma banquinha de morangos ainda garoto, tive uma lanchonete no Guarujá e depois comecei meus estudos. Então no começo foi mais a vida de empreendedor e não a vida pública.

Atibaia News:  Sua mãe, Ercília Pugliesi, era formada em Direito, trabalhou no Governo do Estado, no cargo de Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil e foi vereadora por Atibaia, de 1988 a 2000.  Qual a influência de sua mãe e como foi o início de sua carreira política?

Sempre me relacionei bem com pessoas, porque para estar na vida pública você precisa se relacionar bem. Minha mãe havia terminado seu mandato como vereadora e já estava um pouco afastada da liderança partidária. Ela estava montando um ou dois partidos aqui em Atibaia e precisava de alguém para ser o presidente do partido e me convidou.

Eu falei: “Bom, não sei o que um presidente de partido tem que fazer”, mas aceitei o convite e o desafio. Isso foi em 2001, 2002, e me tornei presidente do PDT. Em 2004 o Mauro Antunes, um amigo que auxiliava na articulação do partido me disse: “Você é um cara novo, todos gostam de você, empresário... você deveria ser candidato a vereador”. De início achei que não “levava jeito” para o cargo, eles insistiram um pouco e acabei aceitando e me tornei o vereador mais votado naquela eleição, com 1518 votos se não me engano, 2,5% do eleitorado que era um número muito expressivo naquela época.

Atibaia News: Você acredita que essa primeira vitória nas urnas trazia um pouco do peso do nome da sua mãe, Ercília Pugliesi?

Acredito que um pouco sim. Minha mãe sempre foi bastante combativa, o que significa que ela tinha muitas pessoas que gostavam dela e muitas que não gostavam. Acho que ajudou um pouco o fato de eu ser jovem, de ter rodado muito em campanha e na época ter procurado outros políticos mais experientes para saber como se faz uma boa campanha. Fui o presidente da Câmara no meu último ano em 2008. Nessa época fui convidado para ser o candidato da sucessão do Beto Trícoli nas eleições seguintes, mas não consegui me desvencilhar dos compromissos que tinha com algumas empresas, tinha muitas responsabilidades e não aceitei ser o candidato naquele ano.

Atibaia News: Na sua opinião aquele era um bom momento? (Nas eleições de 2008 o candidato do PV, Dr. Denig, acabou vencendo o pleito)

Era um momento bastante favorável sim, bem parecido com esse que a gente vive hoje, a situação vinha de dois mandatos com uma boa aprovação. Mas não sei se eu teria feito algo melhor na época, eu era mais jovem, menos experiente, tinha o “sangue mais quente”. Hoje me sinto mais preparado, mais experiente na relação com uma equipe de governo.

Atibaia News: Em 2012, você concorreu à Prefeitura de Atibaia pelo PV. O que havia mudado em relação a 2008?

Em 2012 estava no PV, o pessoal foi me buscar, sabiam que o Dr. Denig tinha alguns problemas na gestão, inclusive pessoais e não tinha a intenção de ser candidato a reeleição. E naquela época eu já tinha me desvencilhado de uma empresa, estava com o tempo mais livre e aceitei participar dessas eleições.

Atibaia News: Em 2012 nas pesquisas, você era um dos candidatos favoritos a vencer o pleito.  Na ocasião o atual Prefeito Saulo Pedroso, surgiu como uma “terceira via” e surpreendeu vencendo as eleições. Qual a experiência positiva que você traz por já ter concorrido ao cargo de prefeito?

A experiência que trago é que cada eleição é única. Não existe “vantagem” nenhuma que pode ser indicada por ter o apoio da situação. Você tem que trabalhar como se realmente não existisse vantagem nenhuma. E claro a experiência de como conduzir uma campanha. Tem gente que gosta muito do período de “campanha”, e eu sou o contrário, gosto muito mais do trabalho do dia-a-dia. Durante a campanha muitas vezes as relações não são sinceras, não são verdadeiras. Acredito que nas próximas eleições até por conta das redes sociais, do acesso à informação as campanhas tendem a ficar mais verdadeiras. Se eu não jogo futebol, a pessoa sabe, e vai perceber que é falso se apenas em período de campanha eu aparecer jogando futebol, é algo não verdadeiro. Esse é um exemplo que demonstra como as vezes é o clima de uma campanha.

Atibaia News: Você acredita que em 2012 havia uma certa polarização e até um movimento contra o Partido Verde?

Sim, eu senti isso de certa forma, nas ruas e de pessoas próximas, de amigos. Porque algumas pessoas me disseram que eu devia ter sido candidato, mas por outro partido. Mas acredito que “eu sou candidato” e não o partido, existem sim alguns compromissos partidários, mas o governante é uma pessoa e você vota nessa pessoa. E sim a eleição estava polarizada, e essa na minha opinião foi uma falha da nossa campanha daquele ano. Eu queria sempre fazer uma pauta positiva, e tinha pessoas dentro do grupo que queriam fazer uma campanha contrária, de falar os defeitos do outro candidato. Mas em algum momento perdemos esse controle, eu não tinha esse perfil de agredir, mas isso aconteceu em algum momento, entre a minha campanha e a do DEM, cujo candidato era o Prof° Wanderley. A campanha do Saulo estava em uma linha mais neutra, mais independente e pôde se destacar. O que eu acho que foi muito bom para a cidade pela alternância, o PV já vinha de três mandatos, 12 anos consecutivos. O Saulo surpreendeu bastante como prefeito e como liderança. Convivo com o Saulo já há bastante tempo, tenho um relacionamento pessoal com ele desde 2004, em 2008 apoiei a candidatura dele a vereador.

Atibaia News: Hoje você é o atual Secretário de Governo de Atibaia. Como foi a transição de “concorrente” em 2012, para parceiro da atual administração?

Sempre conversamos, mesmo depois das eleições. Quando o Saulo venceu, ele ainda não tinha um “time” pronto, e conversamos sobre isso. Eu também não tinha um time totalmente pronto, mas pude dar sugestões. Sempre existia um bom diálogo, as vezes mais próximo, as vezes mais distante. Em 2016 eu preferi não participar de nenhuma forma do momento eleitoral, porque em 2012 eu fui o candidato do PV e em 2016 um dos concorrentes do Saulo era o ex-prefeito Beto Trícoli (PV).

Eu estava gostando muito do que estava sendo realizado pela prefeitura naquele momento, mas não achava justo apoiar o Saulo, uma vez que nas eleições anteriores eu tive o apoio do Beto Trícoli. Também não queria apoiar o Beto, apenas porque ele me apoiou, pois enxergava que a cidade estava sendo conduzida em uma linha muito boa. Então fiquei ausente, não apoiei nenhum dos dois. Não havia nada combinado, mas moralmente não faria sentido apoiar um dos dois. Passou a eleição o Saulo me procurou, queria mudar algumas pessoas no time e perguntou se eu assumiria alguma pasta, sem dizer qual era. Eu disse que topava, ele me convidou para ser o Secretário de Governo.

Atibaia News: E o que você acha da sua atual função na administração pública?

Eu acho bem interessante, porque é possível executar muitas coisas, do ponto de vista do Poder Público, para a sociedade, para cidade. Porque existem muitas formas de você contribuir. Hoje estou ajudando a governar a cidade, tenho minhas limitações para que a máquina pública preste um bom serviço e para que ande bem. Vejo isso com naturalidade, o fato de antes ser um concorrente e hoje somar forças. Estou aqui não porque ganhei as eleições, mas a convite do Prefeito Saulo e colaborando com o governo.

Atibaia News: Sobre a atual administração, quais os pontos que você destaca como positivos? Em quais aspectos é possível melhorar?

Ponto forte é a dinâmica, a velocidade, a disposição do próprio prefeito Saulo, de correr atrás de financiamentos, de querer realizar na cidade as grandes intervenções que são necessárias, com obras e modernizações. O ponto fraco seria ainda uma certa desarticulação da equipe como um todo. Por exemplo, as vezes o Saulo consegue um financiamento para determinada obra, e por uma desarticulação, um desinteresse pontual de um lado ou outro da equipe a gente não consegue materializar aquilo. Tem muitas coisas acontecendo na cidade hoje, mas tem muitas outras que não conseguimos materializar por conta dessa desarticulação, pontual. As vezes até pela “velocidade de trabalho”, nem todos conseguem acompanhar o ritmo do Prefeito Saulo, que é super dinâmico, e nem todo mundo é do mesmo jeito. Esse ritmo em conjunto dá para melhorar.

Atibaia News: Uma das questões que incomodou muito a população neste ano foi o “rebaixamento” do Corpo de Bombeiros da cidade após a mudança da nomenclatura, passando para “estação”, quando o correto pelo porte da cidade seria o status de “pelotão”. Como você vê essa situação? Você acredita que Atibaia pode estar tendo pouco apoio do Governador João Dória? (Nas últimas eleições a Governador, Márcio França, principal adversário de João Dória era do PSB, mesmo partido do prefeito Saulo Pedroso)

Sempre é possível fazer uma reflexão. Primeiro sobre a situação do Corpo de Bombeiros, isso pode ser revertido, já existe uma conversa com o Governo do Estado a respeito. O problema é que depois que algo está “feito” uma reversão é sempre mais difícil. A questão da relação do apoio do estado é sempre possível que haja questões políticas pela disputa direta entre PSB e PSDB nas últimas eleições.  Mas queria fazer uma reflexão um pouco diferente: o PSDB é de 88 ou 89, ou seja, tem 30 anos de existência e Atibaia nunca teve o PSDB alinhado com o governo municipal.  Já tivemos vice-prefeito, um ou dois vereadores, ao longo desses 30 anos. De 2000 para cá, em algum momento por conta de um ou outro deputado estadual houve uma proximidade, mas nunca houve um alinhamento favorável.

Nem por isso Atibaia é uma cidade pobre, muito pelo contrário a gente consegue investir, ampliar serviços públicos, ter uma cidade bem cuidada e bem zelada. Atibaia tem zero de fila de espera de vagas em escolas, uma lista pequena de creche, que pode chegar a zero em pouco tempo, temos escolas de período integral. Na saúde a Santa Casa é praticamente um hospital Municipal porque ela é mantida e administrada pela Prefeitura. E Atibaia faz tudo isso sem o apoio do Governo do Estado, que cumpre apenas aquilo que é legal e obrigatório de sua parte para com a cidade. E curioso é que Atibaia tem contribuído muito com o PSDB nas eleições estaduais e federais que tem em nossa cidade percentuais altos de 70% dos votos do eleitorado. E mesmo assim esse alinhamento não acontece, vejo isso como um desafio do nosso atual governo municipal, melhorar essa relação.

Atibaia News: Como será feita a escolha da indicação do candidato a prefeito (e do vice) da situação para as próximas eleições?

Acredito que a atual administração tem uma boa condição de eleger um sucessor para o governo, o candidato que o Saulo apoiar tem boas chances de ganhar a eleição. Isso por conta daquilo que vemos “nas ruas” e no dia-a-dia convivendo com a cidade. Da mesma forma o Prefeito Saulo teve a capacidade de criar bons nomes para serem candidatos sem que haja nenhum tipo de disputa interna. Eu sempre me considero disponível a ser candidato, estou aqui trabalhando pela cidade. Quem tem militância política partidária, quem trabalha na área pública em cargo político, tem que estar disponível se o grupo precisar dele. Tenho esse compromisso assumido, de não me negar a ser candidato. Outros nomes relevantes são o do atual vice-prefeito Emil Ono, que tem experiência de Câmara, de governança administrativa, o Fabiano de Lima, atual Secretário de Esportes que também é vereador, e o próprio Lucas Cardoso, Secretário de Segurança, são esses os quatro nomes do grupo, entre eles devem sair dois.

Atibaia News: O que irá definir a escolha dos nomes na sua opinião?

Sinceramente eu não sei. Eu tenho trabalhado no dia-a-dia como secretário de governo e com a possibilidade de ser candidato, tentando fazer o máximo no período em que estou aqui. Acho que algum tipo de pesquisa de opinião pública nós deveremos fazer, para saber qual o perfil que as pessoas querem. Não um nome, mas um perfil. E também, simular quem poderá ser o candidato como opositor. Precisamos encontrar um perfil que dispute os votos com as outras candidaturas e que agrade o eleitor.

Atibaia News: No site do Jornal da Cidade, (jcatibaia.com.br) foi publicada uma matéria, no dia 29 de julho deste ano, dizendo que seu nome se encaixa perfeitamente no perfil buscado pelo PSDB para melhorar o desempenho político da legenda no município. Existe um convite ou a possibilidade de uma filiação ao PSDB para as próximas eleições?

Existe um assédio. Eu tenho uma boa relação com o PSDB, conheço o Rodrigo Parras e alguns membros do diretório do partido aqui na cidade. Eu tive algumas conversas, umas três reuniões com os membros do diretório, mas o partido em Atibaia entendeu que no momento está completo, tem seus quadros para vereador e para prefeito. Eu tenho uma boa relação com o governador João Dória, com o atual presidente do PSDB (em São Paulo Marco Vinholi), uma relação pessoal e não por questões eleitorais ou político partidárias.

Ele (Marco) veio até mim e conversamos, e ele gostaria que eu fosse o candidato a prefeito do PSDB aqui em Atibaia, tem essa sinalização. O próprio Governador João Dória, quando fui diretor Geral do Jockey Club de São Paulo e ele como prefeito, criamos uma relação bem próxima. Como é uma questão partidária e eu não faço parte da direção do partido não sei dizer. Estou trabalhando no PSB, mas temos a sinalização interna que eu vá para uma sigla nova até o ano que vem.

Atibaia News: Qual a lógica sobre a necessidade de procurar uma nova sigla?

Porque precisamos ocupar espaços. Acho que agora ainda é cedo porque a questão partidária pode ser definida até o início de abril do ano que vem. O PSDB é um partido pelo qual eu simpatizo, e em Atibaia a população gosta.Atibaia News: Você tem interesse em se candidatar a algum cargo público em 2020? Em caso de mudança para o PSDB ou outro partido é possível que se candidate a prefeito?

Eu aceito ser candidato pelo PSDB ou outro partido, mas integrando o nosso grupo, que é o do atual prefeito Saulo Pedroso. Não aceitaria uma candidatura independente. Não acho justo, porque sou secretário de governo e nem estava mais no cenário político de Atibaia, o Saulo que foi me “buscar” na vida privada apara me trazer para vida pública novamente, me dando visibilidade. Nada mais justo do que apoiar o candidato do nosso grupo.

Atibaia News: Você cogita a candidatura a vereador caso não seja o nome escolhido para representar a gestão atual na sucessão a prefeitura?

Acho que nada é descartado, mas sinto que eu ajudo mais o candidato a prefeito trabalhando na coordenação de campanha, no apoio logístico que é necessário do que como eventual candidato a vereador; também pela experiência que já tenho. Pelo perfil e pela experiência, se eu não for o candidato a prefeito, ajudaria muito mais sendo um apoiador da estrutura da campanha.

Atibaia News: Na sua opinião como a polarização política entre direita/esquerda, que observamos de forma muitas vezes radical no cenário nacional, pode afetar as eleições municipais?

Sinceramente acho que não. Existe um processo de evolução dessa discussão. Se fosse concorrer um candidato do PT ou do PSL, ou alguém que representasse uma linha mais radical, seja militar, ou de esquerda, essa polarização poderia acontecer. Mas se os candidatos não estiverem nesses partidos, nem nesse perfil que abraça uma forma de militância, acho que a polarização não vai acontecer. O que o eleitor tem exigido são respostas bem objetivas de seus candidatos.  O eleitor não quer saber de lero-lero e conversa fiada. Ele quer saber quando e como vamos fazer. Ele quer respostas objetivas: sim ou não. Digo isso porque converso com o cidadão o dia inteiro aqui na Prefeitura. E até quando é necessário falar não, o cidadão entende quando você explica uma limitação de orçamento, o que ele não quer são promessas falsas, é o “volta semana que vêm”. E acho que isso será muito forte nas eleições 2020, saber expor o que é possível fazer e o que não é possível, porque hoje as pessoas querem saber como, elas entendem o que é um orçamento e sabem cobrar explicações.

› FONTE: Atibaia News (portalatibaianews.com.br)


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