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Entrevista com o Prefeito

Publicado em 21/12/2019 Editoria: Política sem comentários Comente! Imprimir


Prestes a completar 8 anos de mandato, Saulo Pedroso fala ao Portal Atibaia News sobre o que mudou nos últimos anos, os desafios e pontos altos e baixos de sua gestão.

Armando Teixeira Junior

Nas eleições de 2012, de forma surpreendente o candidato Saulo Pedroso se tornava o prefeito mais jovem eleito por voto direto em Atibaia. A candidatura chamada de “terceira via” cresceu na reta final do pleito, impulsionada por uma grande polarização política da época. 

Após 7 anos, Saulo admite que no início não entendia de forma plena os limites de atuação de cada esfera, e mesmo tendo experiência de um mandato como vereador, assumiu o executivo e aprendeu na prática como gerenciar as demandas municipais.

Em entrevista ao Portal Atibaia News, o atual prefeito falou sobre assuntos polêmicos como a mudança da planta genérica e o IPTU, a greve dos servidores municipais e os planos de resolução para as enchentes em períodos de chuva. 

Entre os assuntos abordados estão ainda as obras na Jerônimo de Camargo e na Lucas, alvos de reclamações de alguns munícipes, a reforma do Cine Itá e a situação do Casarão Júlia Ferraz.

Saulo falou sobre as conquistas na segurança com a implantação do GGI e da educação, com projetos de destaque que tornaram a cidade uma referência nacional.

Quando o assunto foi política, apontou como será escolhido o candidato da situação para prefeito em 2020, falou sobre a ideia de criar um grupo forte de atuação em toda a região, e da mudança recente de partido e do seu futuro político.

Muitos outros temas surgiram durante a conversa que você confere abaixo.

Atibaia News: Para iniciarmos a entrevista, nos fale um pouco sobre o que mudou do jovem vereador que concorreu nas eleições de 2012 para o atual prefeito prestes a completar 8 anos de mandato?

O que mudou foi o nível de conhecimento, que veio com a experiência de quase oito anos como prefeito. Apesar de ter sido eleito vereador muito jovem, eu não conhecia 100% dos trâmites, das possibilidades de atuação do poder público. Não estou falando só do Poder Executivo, mas do próprio Legislativo, as atuações de outras esferas de governo, limites de responsabilidade, entre Governo do Estado, Federal e Municipal … tudo isso acabei conhecendo com mais profundidade dentro da administração. Naquela época, até mais pela idade, eu era um pouco mais rebelde, queria resolver mais rapidamente as coisas, e o poder público, às vezes, não permite isso, ele te obriga a passar por um roteiro; obedecendo legislações que impedem a resolução das coisas com uma agilidade maior.

Na sua opinião quais foram as maiores conquistas dos primeiros 4 anos e também quais foram os maiores erros ou dificuldades desse primeiro período?

Meus quatro primeiros anos foram muito bons, porque recebemos muitos recursos de Brasília, naquele momento contamos com o apoio do deputado federal Roberto Santiago, que foi o nome que começou todo o projeto da “terceira via”, em um momento político da cidade onde havia uma disputa muito polarizada. Os recursos foram importantes para dar visibilidade ao nosso trabalho, porque foi utilizado para obras de infraestrutura, no financiamento da estação de tratamento de água, em projetos habitacionais que tiveram muito impacto. Foram 1480 unidades habitacionais.

O que foi muito difícil foi pactuar a planta genérica da cidade, foi um período muito turbulento. Porque é muito difícil você convencer a cidade dessa necessidade. As pessoas já tem uma carga tributária muito alta no país e quando você fala de um equilíbrio fiscal na prefeitura, o primeiro movimento é de resistência, mas ao longo do tempo nós estamos demonstrando que esse ajuste fiscal era importante, pois fazia com que a prefeitura tivesse condições de enfrentar os seus desafios, buscasse uma estruturação dos serviços públicos com mais qualidade. Esse talvez tenha sido o período mais difícil. 

Algum erro ou arrependimento?

Não tenho nenhum arrependimento, talvez uma ou outra coisa que eu falei em alguma reunião, de uma forma mais agressiva. Por exemplo, na primeira gestão eu critiquei muito o Governador do Estado de São Paulo, pela ausência dele atuando na cidade de Atibaia, que passava pelo problema das enchentes. Era uma situação muito complicada, muito delicada e o Governo do Estado nunca nos ajudou em nada. Por isso eu o atacava publicamente. Então são erros mais relacionados ao comportamento, talvez hoje fizesse diferente, mas não de ações ou decisões que eu tenha tomado.

Como estão os cronogramas das obras da Lucas e da Jerônimo de Camargo? Na sua opinião por que algumas pessoas apontam divergências em relação a forma de realização dessas obras ?

Tanto a Lucas quanto a Jerônimo tinham uma faixa de circulação em cada sentido, sendo que a Jerônimo possuía trechos sem acostamento. Após as obras elas ficarão com duas faixas em cada sentido de circulação, inclusive com espaços para retorno, como a rotatória na região do Loanda. O problema é que muitas pessoas não esperam a obra estar concluída, elas não tem paciência e não conhecem o projeto com profundidade. Sem a sinalização horizontal e vertical as pessoas têm dificuldade de entender o que está acontecendo. Foi o que aconteceu com a obra no trecho onde atualmente está o Habib&39;s. Pessoas criticavam o trânsito, mas é claro que tinha trânsito porque tudo estava em obra. É a questão do imediatismo, da falta de paciência. Nós estamos vivendo um momento onde as pessoas estão todas estressadas, as dificuldades do país, o desemprego... com isso o poder público é a bola da vez, as pessoas então começam a achar um culpado para tudo.

E os cronogramas?

As obras estão dentro do cronograma, e terminam dentro da nossa gestão. Alguns trechos serão entregues até junho, os demais no final do ano.

Na Lucas, o primeiro trecho “patinou” dois meses do cronograma estabelecido. Mas agora ele não aumenta e nem flexibiliza o prazo do contrato todo, isso significa que a empresa vai ter que executar tudo em menos tempo. Também não haverá aumento de custo. 

Duas coisas que atrasam muito: a falta de cadastro, não temos documentação de nada que está na parte subterrânea da cidade, nem água nem esgoto. Quando você vai fazer uma intervenção, aparece um cano ligado a algum lugar ou uma ligação clandestina, porque tudo é muito antigo na cidade. A segunda é quando ao realizar uma obra você identifica a necessidade de fazer um ajuste no projeto, e como são recursos vinculados (no caso da Jerônimo, financiamento com a Caixa Econômica Federal e na Lucas recursos do DADE) antes de executar a mudança, é preciso submeter à apreciação, o que pode levar 20, 40, 60 dias para autorização. E aí a obra fica com cara de estar paralisada. Esses são dois problemas que nós enfrentamos.

Quais os principais projetos e investimentos do seu governo para o próximo ano?

O que a cidade ainda não “percebeu” e que vai acontecer é o Hospital Municipal. É assinatura da PPP (Parceria Público Privada) que vai acontecer nos próximos 30 dias, para em seguida emitir a ordem de serviço. 

Haveria ainda a PPP da “Iluminação Pública”, que também deveria estar acontecendo mas foi judicializada. Como está parada na esfera judicial, nós não temos o controle de prazo, mas é um investimento significativo, porque o aporte será da iniciativa privada e a Prefeitura vai pagar em 30 anos com recurso do fundo de iluminação sem onerar em nada a população. A iluminação atual será toda substituída por lâmpadas LED, e o que vai pagar esse financiamento será a própria economia na energia do município. No caso do hospital o formato é o seguinte: o terreno é da prefeitura, o privado constrói o hospital no terreno, entrega as chaves, 30 dias depois ele começa a receber um aluguel por 30 anos. O nome desse processo é locação de ativos, a Sabesp usa muito isso para viabilizar a construção de estações de tratamento de esgoto. O dinheiro sairá do nosso orçamento, o custeio já está previsto porque hoje é assim com a Santa Casa, que já é 100% administrada com recursos da prefeitura, existe um complemento do SUS, mas o resto do recurso é fonte 1 da prefeitura. Então esse custo está dentro do nosso radar.

Outra questão recorrente é sobre a necessidade de uma nova Rodoviária, mais adequada ao tamanho e demanda do município. Alguma novidade sobre esse assunto? Como anda o processo de reforma praça da atual rodoviária?

Não existem novidades sobre a rodoviária, estamos fazendo uma reforma na praça para fazer uma melhora do ambiente. O que tinha de novidade era o contrato que envolvia o estádio Salvador Russani (Campo do Alvinópolis), em uma troca deste espaço por uma rodoviária e um estádio novos. Por meio de uma movimentação política, a justiça e o Ministério Público entendeu que era melhor fazer a rescisão do contrato. Foi determinado que a prefeitura fizesse a venda desse terreno e depois utilizasse o dinheiro para fazer a obra. Decidimos não caminhar nesse sentido, porque seria difícil encontrar um comprador que pague os 20 e poucos milhões do valor daquele terreno à vista, e depois a Prefeitura teria muita dificuldade em fazer a gestão de uma obra tão complexa. Seria muito mais vantajoso a iniciativa privada resolver esse problema, entregar pronto para prefeitura apenas administrar. Então a gente voltou à estaca zero em relação a uma nova rodoviária.

E a situação do Estádio Salvador Russani? Serão realizadas reformas nesse espaço?

É muito difícil em um momento como esse, onde o país passa por uma crise muito grande, o governo federal destacar uma verba para mandar arrumar um estádio de futebol. Na minha opinião a reforma tem que ser feita com dinheiro da iniciativa privada. Essa é minha avaliação, por isso também a ideia era utilizar esse espaço para viabilizar o outro estádio e uma rodoviária, ambos mais modernos.

Fizemos algumas reportagens sobre duas grandes obras, uma concluída e outra em andamento, a UBS Santa Clara e o CIEM 2. Nos fale um pouco sobre elas.

A UBS Santa Clara tem um significado muito importante para nós, porque quando eu assumi a Prefeitura em 2013, aquele campo era ocupado por casas improvisadas, alojamentos provisórios de pessoas que sofreram com os problemas das enchentes em 2011 e foram colocadas ali. Nenhum tipo de solução era oferecida para aquelas famílias nas condições desumanas que estavam vivendo... e hoje poder entregar uma Unidade Básica de Saúde, que é a maior da cidade, oferecer um atendimento melhor, e um Complexo Esportivo, que estará pronto até o carnaval, isso é motivo de muito orgulho. 

O CIEM 2 é como a “cereja do bolo”, que consagra o trabalho que a Secretaria da Educação está fazendo na cidade. Atingimos um patamar de qualidade que está sendo destaque, não só na região, em São Paulo, mas no Brasil; porque estamos entre os 20 melhores do país no fundamental ciclo 1. O CIEM 2 irá fazer parte do planejamento da implantação da escola de tempo integral, porque nós precisamos de uma estrutura, um espaço físico e de grade de contraturno para poder trazer, inclusive alunos de outras escolas. Não dá para construir um complexo desse tamanho em cada bairro com estrutura Esportiva, laboratório, teatro, sala de robótica... Quem sabe mais um CIEM na região do Caetetuba, próximo ao Nova Atibaia, para aí sim atender 100% da cidade. Muitas outras escolas estão sendo reformadas também, passando por um processo de adaptação para a implantação do tempo integral.

A prefeitura está preparada para a chegada do período de chuvas? Como anda o projeto para desapropriação de propriedades do Parque das Nações? E o processo de desassoreamento dos rios e recuperação dos lagos do Jd. Paulista, Jd. do Lago e Lago do Major?

Se você faz o desassoreamento do Rio Atibaia, do Figueira e de todo Vale do Flamboyant, somada a limpeza dos lagos e do sistema de drenagem da cidade e mais as desapropriações na região do Parque das Nações, o problema das enchentes na cidade está resolvido. Possuímos recursos no fundo do meio ambiente mas precisamos da autorização do COMDEMA (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente) para a utilização desse recurso para fazer o desassoreamento do Lago do Major, do Lago do Jardim Paulista e do Jardim do Lago. Nas reuniões o conselho não tem conseguido deliberar a liberação dessa verba. O desassoreamento do Rio Atibaia complementa tudo isso. Estamos tentando liberar recursos junto ao Governo do Estado, tentamos um financiamento internacional para fazer a obra do Figueira, mas bem nessa época uma mudança de regra criou um procedimento para empréstimo muito mais rigoroso, o que impediu a liberação de 100 milhões em investimentos. Estamos ainda aguardando uma linha de financiamento do governo ou qualquer outra sinalização para obter os recursos. E no caso das desapropriações fizemos quatro licitações para vender alguns imóveis para alimentar o fundo que vai indenizar as famílias e permitir as desapropriações. Não conseguimos vender nenhum terreno das quatro licitações.

O GGI pode ser considerado um dos grandes sucessos da sua gestão. Em entrevista ao nosso portal o vereador Lucas Cardoso, que ocupou também o cargo de secretário de Segurança Pública do Município, disse que recebeu todo o apoio necessário do executivo. Nos conte como aconteceu essa parceria para a criação do GGI.

Um dia conversando no gabinete em uma reunião com todas as instituições de segurança eu falei: “Olha nós temos duas alternativas, ou o índice de criminalidade da cidade cresce, e a gente fica reclamando e transferindo responsabilidades ou podemos definir entre nós uma estratégia de atuação para minimizar isso”. Eu percebi que as forças de segurança têm na verdade uma relação de amizade e de compromisso com a cidade muito forte, porque todos os comandantes pertencem a nossa região, moram aqui e querem ver a cidade bem.

Surgiram então operações em conjunto, com a identificação das causas dos crimes de morte violenta, que eram na maior parte dos casos, jogatina e bebedeira em bares a noite, e com isso foram diminuindo os índices de criminalidade. Eu percebi que a prefeitura podia colaborar ainda mais, e contratamos mais 50 guardas municipais, inauguramos três bases de segurança, uma no Tanque, uma no Portão e uma no Cerejeiras. Além da “Muralha Digital” que foi a ferramenta em tecnologia que adiantou a vida das instituições de segurança aumentando o nível de informações e detalhes no combate a criminalidade. Estamos ainda equipando melhor a Guarda Municipal, entregamos agora 13 novos veículos, oferecemos plano de carreira, e estamos instalando mais 50 câmeras novas que é CFTV, que filma em pontos estratégicos da cidade.

Atibaia por ser uma cidade turística sempre apresenta demandas ligadas a beleza e manutenção de praças e espaços públicos de lazer. Nos fale sobre os processos de revitalização das praças da cidade.

Esse é o trabalho que eu entendo que é obrigação da Prefeitura em relação à população, deixar a cidade limpa e bonita, bem cuidada. Os principais pontos turísticos do país possuem um grande produto dentro da cidade e aquilo é viabilizado como um negócio pela iniciativa privada e é isso que a gente quer que aconteça aqui em Atibaia. Eu uso como exemplo um comentário que é até engraçado: “Na cidade de Aparecida, você paga até para tirar uma foto lá na porta da igreja com o burrinho”. Em Atibaia o pessoal tá muito acostumado a querer que tudo seja realizado pela Prefeitura. Manter a cidade bonita, as ruas asfaltadas e limpas isso é o que cabe a prefeitura. Para o próximo ano faremos a licitação para asfalto da Estrada da Pedra Grande, permitir o acesso aos pontos turísticos da cidade. O turismo de negócio é muito forte na cidade, também por conta da rede hoteleira bem estruturada e a presença de ao menos dois grandes hotéis que tem atraído investimentos interessantes. A cidade quer encontrar um parceiro que nos ajude a desenvolver um produto que seja uma grande marca: como Gramado é no frio e no Natal, como a praia é no verão, como Aparecida é como destino religioso ….uma parceria com a iniciativa privada, porque a prefeitura não tem recursos para fazer tudo sozinha e isso nem é a função do poder público. Falta essa atuação da iniciativa privada para fortalecer ainda mais o turismo.

No centro do município o Cine Itá e o “Casarão” Julia Ferraz são dois pontos considerados de grande importância histórico cultural e vez por outra surgem notícias de reformas e reabertura desses espaços para o público. Como está a situação de cada um deles?

O Cine Itá é público, eu estou dando sequência a uma estratégia que foi definida lá atrás em gestões anteriores, que foi comprar o prédio e fazer a revitalização, para transformar em um teatro. Fizemos um empréstimo recentemente e parte desse valor vai para a última etapa da reforma desse espaço. Por três vezes fizemos licitações para dar continuidade as obras do Cine Itá e as licitações foram desertas, nenhuma empresa apareceu. Vai acontecer dia 3 de Janeiro a quarta licitação, e acredito que alguma empresa vai aparecer e aí assinamos o contrato e eu entrego a obra. Saio do governo com o Cine Itá pronto, com atividade cultural já acontecendo e funcionando. Sobre o Casarão Júlia Ferraz, eu tenho uma notícia que recentemente o Governo do Estado, através da Secretaria de Justiça, assinou um convênio que se chama “Fundo de Interesse Difuso” (FID) que disponibiliza recursos para esse tipo de projeto e o Júlia Ferraz, através da Associação dos familiares que são os proprietários do Casarão, apresentaram um projeto, foram selecionados e parece que já assinaram... Se isso de fato aconteceu e a Prefeitura já oficiou eles a se manifestarem em relação a isso, eu vou revogar o Decreto de Desapropriação, uma vez que é desejo da família continuar sendo proprietária do Casarão, mantendo a fachada histórica e a utilização como espaço comum. É até melhor para o poder municipal que não tenha recurso público sendo disponibilizado para isso. Fiz o decreto pois estava preocupado com a questão histórica e cultural de um patrimônio da cidade no coração do município, mas como a família resolveu a situação e está alinhada no mesmo desejo da cidade e do poder público, então faz sentido revogar o decreto.

O samba enredo da Escola de Samba Acadêmicos do Tatuapé para o próximo Carnaval paulista, homenageia nossa cidade. Como se deu a aproximação entre Atibaia e essa importante agremiação carnavalesca, conhecida em todo o país?

É uma escola bicampeã, que só não foi tricampeã no passado por conta de um problema de uma alegoria... ela foi a primeira colocada até o último quesito. O primeiro contato aconteceu porque o Igor, que é mestre de bateria, mora em Atibaia. Esse primeiro contato foi realizado através da Roberta, nossa Secretária de Cultura, depois passou ao conhecimento do Secretário de Desenvolvimento Econômico e aí teve a conversa comigo.

Eles apresentaram o projeto e eu abracei a ideia. Para a cidade, em termos de visibilidade é muito bom, é muito importante e as coisas foram acontecendo. Houve um processo de seleção e escolha de samba enredo pelos integrantes da escola, e o tema de Atibaia foi a proposta selecionada. Eu tenho certeza que será um sucesso, porque a nossa história é muito rica, muito bonita e vai permitir que o carnaval da Tatuapé seja um carnaval muito bem elaborado.

Pretende desfilar? 

Com certeza! Preciso fazer um intensivo de samba nos próximos 60 dias, porque não conheço nada, mas vou desfilar.

Em seu discurso na inauguração da UBS Santa Clara foi mencionada a sintonia entre executivo e legislativo durante o seu mandato. Você diria que até vereadores considerados de oposição contribuíram para que todas as obras continuassem em andamento? 

O poder legislativo, até pela maioria de vereadores de base de apoio ao governo, teve uma atuação positiva e aberta ao diálogo. Quanto a oposição em todos os processos que o executivo precisou pactuar com a Câmara, quem se identificava como liderança de oposição não contribuiu com nenhuma decisão. Os recursos liberados para a UBS Santa Clara por exemplo, vieram de uma decisão do presidente da Câmara na época, o Fabiano de Lima, que decidiu por devolver o dinheiro para que fosse utilizado na UBS. Isso foi definido numa reunião em conjunto com a base de apoio. Me deixa um pouco chateado a oposição que fala não, e não sugere como deve ser feito. Não existe o diálogo. No caso do Hospital Municipal por exemplo, a votação da oposição foi contrária, mas na inauguração eu tenho certeza que eles vão estar lá, fazendo selfie, fazendo vídeo, fazendo foto … para mim não faz diferença esse comportamento, o importante é entregar o Hospital para a cidade.

Tive o apoio da maioria dos vereadores que garantiu uma gestão tranquila no trato. Mas não é verdade que eles votaram tudo o que foi determinado pelo governo, porque muitas coisas a gente mudou antes de encaminhar para a Câmara. Eles contribuíam já na construção da Lei e aí quando ela vai para Câmara, ela vai meio alinhada com a base de apoio. São partidos que estão dentro do governo, então eles participam da construção da cidade. 

Nos últimos anos houve também alguns momentos de tensão. Nos fale um pouco sobre a Greve dos Funcionários Municipais e sobre o aumento do IPTU. O que o executivo gostaria de falar sobre esses fatos que as vezes a população desconhece?

No caso da atualização da planta genérica, nas duas vezes fiz questão de conduzir a audiência pública e fui lá para explicar e defender a tese que a prefeitura adotou. Por exemplo, na segunda vez o resultado foi uma adequação que correspondeu a 40% dos imóveis da cidade, na outra metade da cidade houve redução do IPTU, chegamos até a ter casos de isenção. Foi a fórmula mais justa encontrada, tanto que ela foi judicializada e o Poder Judiciário aprovou esse formato de cobrança da prefeitura.

O formato anterior era muito desigual, havia casos onde dois imóveis, na mesma região e com o mesmo perfil estavam pagando valores distintos de IPTU. A desconformidade na forma de cálculo poderia em um determinado momento, em uma eventual judicialização de um processo, colocar a cobrança numa situação de insegurança jurídica. Se eu não tivesse feito esses dois ajustes na planta genérica, Atibaia estaria “quebrada”. 

Quem é que de fato teve o seu negócio inviabilizado? Quem teve sua vida inviabilizada por conta disso? Porque o aumento foi maior para quem tinha condição de pagar.

A fórmula de cálculo não está vinculada se a pessoa é rica ou pobre, ela está vinculada a capacidade social de negócios, de retorno de rentabilidade do imóvel. Se a pessoa possui um imóvel que vale 3 milhões de reais e não consegue pagar o IPTU, que é um pouco maior do que um imóvel de 200 mil reais, ela tem que vender aquele imóvel para quem tem condições de pagar aquele IPTU. Não faz sentido nenhum ela querer ficar com aquele imóvel. Pois o imóvel deve também contribuir com o desenvolvimento da cidade, para que não aconteça especulação imobiliária e outras coisas que acabam travando o desenvolvimento do município. Foram com esses recursos que conseguimos equilibrar fiscalmente a cidade, foi possível captar recursos a título de financiamento, para fazer investimentos importantes e hoje a cidade de Atibaia é uma das poucas do Estado de São Paulo que não está quebrada, paga em ordem férias, o décimo terceiro, e os compromissos contratuais. Atibaia não está fechando unidade de saúde, escolas...pelo contrário, está inaugurando novas creches. É uma das poucas cidades do Estado de São Paulo que foi capaz de crescer nos últimos anos.

E sobre a greve?

Pode parecer incoerente a minha posição, falando de equilíbrio fiscal, do aumento da capacidade de investimento financeiro da prefeitura… e depois dizer que “não dá para dar aumento para servidor”. E de fato: Não. Não dá para dar aumento no valor que foi pedido. Não era possível. 10% com 6% de aumento real não era possível.

Na realidade se você comparar a média salarial do Servidor Público, ela já é muito maior do que o da iniciativa privada, ele já tem somados os benefícios, uma condição de estabilidade, no geral o trabalhador possui uma condição melhor do que quem busca oportunidades no mercado de trabalho particular privado. E aí o servidor pleiteia um aumento, um ajuste do salário acima dos índices econômicos, ignorando o momento difícil que o país está vivendo. Apesar de ter “colocado” essa greve no meu currículo sem a minha vontade, não considero um momento de tensão do meu governo porque estava muito convicto da nossa proposta, tanto que não foi 100% da prefeitura que paralisou. 

Estamos nos aproximando das próximas eleições. Na sua opinião como será o cenário político para 2020?

Atibaia não tem uma tendência para votos de extrema esquerda, é uma cidade conservadora e tem dificuldade de votar em candidatos de posicionamento de esquerda. Votou em peso na eleição de 2018 no candidato à presidência da república que é totalmente posicionado na extrema direita. Mas eu vejo que o país em pouco tempo já está “de saco cheio” com esse tipo de posição extrema. Para nós o interessante são pessoas que consigam manter o diálogo com toda a diversidade que existe no Brasil, que é um país muito diverso, de extremas dificuldades e que também tem pessoas que são muito ricas. O Brasil precisa de políticos que sejam um pouco mais estáveis no comportamento, com um nível de qualificação um pouco melhor, inclusive de conhecimento da própria máquina pública; que antes de falar possa estudar cada caso. Eu acho que a população está percebendo isso, mas ela ainda não está arrependida do que fez. Porque a esquerda representava a corrupção e a população não perdoa isso. O país vai em um determinado momento voltar para a posição que deveria estar, que é a posição de centro, com uma economia liberal em algumas coisas mas que tenha atuação do Estado em outras. O Estado tem que controlar alguns serviços públicos para que as pessoas mais pobres tenham acesso. Nem tudo dá para você passar para iniciativa privada e a pessoa tem que ter sensibilidade social e cabeça aberta para ser empreendedor e compreender todas essas necessidades 

No meio político de Atibaia, Emil Ono parece ser o principal nome da situação para concorrer à prefeitura em 2020. Os outros são, Luiz Fernando Pugliesi, Lucas Cardoso e Fabiano de Lima. Na sua opinião, a escolha de um desses nomes será aceita naturalmente pelos demais? 

Não é minha essa escolha, é do grupo. Porque não é uma imposição, mas encontrar uma candidatura que possa atender todos os anseios da base de apoio. Eles que vão dizer num determinado momento, e eu acredito que é o mês de março de 2020. Temos que encontrar o candidato que tem condições de governar a cidade, que tenha projetos e habilidade política. Se eu me posicionar a favor de a, b ou c é perigoso eu “explodir” o grupo. A pesquisa de opinião vai ajudar a determinar isso, porque interessa muito para nós o que a população espera do próximo candidato. A pesquisa qualitativa e quantitativa, saber aquele que tem chance de ganhar e aquele que tem a menor rejeição, que tem perfil para atender aquilo que a cidade deseja.

Mas os nomes são esses?

A Secretária de Educação (Márcia Bernardes) também está “correndo por fora”. Porque ela tem um trabalho que tem um alcance muito forte na cidade. Não é fácil você pegar uma cidade como Atibaia e colocá-la entre as melhores do Brasil na educação. Quem administra uma secretaria daquele tamanho, não teria dificuldades de administrar uma Prefeitura. Mas enfim ela não é política, não tem filiação partidária. Mesmo assim o nome tem aparecido nas pesquisas.

Sabemos que muitos partidos estão se readequando para as próximas eleições. Nesse sentido por que você decidiu pela troca de partido, saindo do PSB e se filiando ao PSD?

Porque o PSB vinha se comportando mal a nível nacional, principalmente em temas que são importantes para o país. O partido vinha votando contra reformas que precisam acontecer. O partido passou a ter o comportamento muito alinhado com a extrema-esquerda. E nós temos um posicionamento diferente. Encontrei no PSD a oportunidade de construir um plano político para toda nossa região, sem estar alinhado a nenhuma posição de extremidade, nem de esquerda nem de direita. O PSB não me deu essa oportunidade, por exemplo de estruturar em todas as cidades da região uma candidatura. Em cidades importantes como Bragança Paulista o PSB não possuía um candidato a prefeito para 2020. Eu tive também muitos problemas na eleição com a interferência de “caciques” do partido aqui na nossa região, esse é um modelo de política que eu não pactuo. Eu fiz parte da construção do PSD lá atrás quando comecei a coletar assinaturas, fui eleito prefeito pela primeira vez pelo PSD. Então meu desejo é que essa mudança facilite a construção de um plano regional e favoreça um trabalho de aproximação com o Governo do Estado. Para mim é difícil porque a minha relação com o PSDB não é favorável. Quero trazer o Emil, que está vindo para o PSD, ou quem for nosso candidato para aí então construir uma relação para o próximo governo municipal. Como disse, eu fui um pouco rebelde no começo e agora está na hora de dar uma pausa e amenizar as relações.

Em muitas de suas falas ficou nas entrelinhas o desejo de representar Atibaia e nossa região em uma outra esfera política que não a municipal. Qual o seu futuro político?

É natural que aconteça (a candidatura). Essa construção regional já tem como objetivo fortalecer o partido na região, mudando ou não a regra do voto distrital, o partido tem que estar bem posicionado nas eleições municipais em todas as cidades da região. Acreditamos que de 5 a 8 prefeitos serão eleitos pelo PSD e Atibaia é uma cidade importante. Nossa região ainda não conseguiu perceber a importância que é ter um deputado federal e agora em 2022 teremos essa chance. Penso que com experiência política e administrativa e com conhecimento da região e do poder público, conhecimento da administração pública, eu avalio que o único que daqui a dois anos possa estar preparado para isso será eu. Tenho boa relação com a cidade, mesmo com aqueles que são oposição ao governo, eu respeito. Não é possível agradar todo mundo, não tem jeito, mas vejo como uma candidatura natural. A nossa cidade vai ter a oportunidade de ter alguém lá em Brasília, que vai colocar a bandeira de Atibaia pela primeira vez no gabinete federal. A cidade vai decidir por ter isso ou não ter isso, eu me coloco à disposição.

Então sua candidatura em 2020 seria para Deputado Federal?

Acho muito difícil conseguir correr dessa responsabilidade. Para Atibaia o mais interessante é ter um deputado federal, porque o poder de articulação é muito maior. Brasília tem muito mais recursos do que o Governo do Estado de São Paulo. Sem contar que o deputado tem também 15 milhões de emenda impositiva por ano, em quatro anos de mandato seria possível trazer no mínimo para nossa região 60 milhões de reais em investimento, hoje a região não tem nada. Desse valor 25% vai obrigatoriamente para saúde, é uma grande injeção em todas as áreas da nossa região. Pode ser que a região não entenda que necessite de um Deputado Federal e continue votando de forma pulverizada para candidatos de fora, mas a minha parte eu terei feito.

Condução da entrevista: Jair Gonçalves da Silva e Armando Teixeira Junior

› FONTE: Atibaia News (portalatibaianews.com.br)


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